Ingresso da China no BID anima países da AL

Países da América Latina esperam que a entrada da China no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) leve ao aumento dos investimentos do país em infraestrutura e atividades produtivas na região.

Cláudia Trevisan, DALIAN, CHINA, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2009 | 00h00

Além disso, pode facilitar a interação entre países latino-americanos e empresas chinesas e dar um caráter institucional aos projetos que contarem com sua chancela, avaliaram participantes do painel sobre as relações entre a América Latina e a China, ontem, no encontro do Fórum Econômico Mundial na cidade chinesa de Dalian.

"A China vê a América Latina como um grande mercado potencial e nós precisamos transformar nossa relação, hoje basicamente comercial, em uma relação mais profunda, que também envolva investimentos", disse o brasileiro Rodrigo Maciel, secretário executivo do Conselho Empresarial Brasil-China.

A China entrou no BID no início de 2009, depois de anos de negociação, e passou a ser o 48º integrante da instituição. O Banco de Desenvolvimento da China e o China Eximbank já fecharam acordos com o BID para participar do financiamento de projetos na região.

Bernardo Guillamon, diretor de Parcerias do BID, disse que a expectativa é que pelo menos dois projetos saiam do papel este ano, o que abriria o caminho para a mais rápida aprovação dos investimentos no futuro.

O ministro do Comércio, Indústria e Turismo da Colômbia, Luis Guillermo Plata, ressaltou ser difícil fazer um diagnóstico único para o relacionamento dos países latino-americanos com a China e preferiu dividi-los em dois grupos: os que têm superávit com o país asiático por exportarem commodities e os que têm déficit em razão da importação de produtos acabados, no qual está a Colômbia.

O único país da região que foge desse padrão é a Costa Rica, que conseguiu ter superávit no comércio com a China por meio da exportação de produtos de alto valor agregado, como chips e componentes eletrônicos.

A Costa Rica sente-se tão confortável em seu relacionamento com a China que negocia a assinatura de um acordo de livre comércio com o país, que deverá estar concluído no início de 2010. "Cerca de 80% de nossas exportações para a China são de bens de alta tecnologia", disse Marco Vinicio Ruiz, ministro de Comércio Exterior da Costa Rica.

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