'Inhotim é um trabalho para a posteridade'

'Inhotim é um trabalho para a posteridade'

Bernardo Paz, empresário e mecenas, DONO DO INSTITUTO INHOTIM

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

25 de março de 2010 | 00h00

Há cinco anos, quando tinha 55, o empresário Bernardo Melo Paz resolveu passar para a posteridade não como um neto de imigrantes que fez fortuna do nada; nem como o ousado businessman que abriu caminho para negócios com a China; nem como um bem-aventurado playboy que namorou algumas das mulheres mais bonitas de Minas Gerais. Preferiu ligar-se a um ramo de atividade cheio de incerteza e imprecisão: a arte contemporânea brasileira e internacional.

Em 2005, para repatriar cerca de US$ 240 milhões da venda de uma jazida de minério na Europa, começou a construir aquele que se tornaria o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, o Instituto Inhotim, em Brumadinho (cerca de 60 km de Belo Horizonte). Não satisfeito, foi viver na sua nova empreitada, e hoje o lugar mais certo para encontrá-lo é entre os 486 mil m² de jardins de inspiração "burle-marxistas" ou no restaurante com bufê cinco estrelas do Inhotim, com o estilo e as roupas que são sua marca: cabelos compridos, camisa-bata branca, calça de tecido mole e chinelos.

O local fascina curadores, críticos e amantes da arte contemporânea do mundo todo. "Poucas instituições se dão ao luxo de devotar milhares de acres de jardins e montes e campos a nada além da arte, e instalar a arte ali para sempre", cravou o crítico do New York Times. Paz vive entre obras de Oiticica, Tunga, Cildo Meireles, Ernesto Neto, Matthew Barney, Doug Aitken, Chris Burden e Yayoi Kusama, acervo iniciado há mais de 20 anos. "Inhotim é um trabalho em progresso, é uma tarefa para a posteridade", diz Paz.

O empresário, porém, também se refugia dos problemas em Inhotim. Irmão de Cristiano Paz, ex-sócio do publicitário Marcos Valério (o operador do "mensalão") na SMP&B e DNA Propaganda, ele tenta escapar das acusações de, supostamente, ter algum tipo de conexão com o esquema. Há alguns dias, o STF aceitou denúncia de lavagem de dinheiro contra seu irmão. Bernardo Paz diz que só viu Marcos Valério uma vez na vida e defende o irmão: diz que ele estava endividado quando vendeu 30% da sua agência.

Casado com a artista Adriana Varejão, range os dentes com impaciência quando o comparam a Edemar Cid Ferreira, ex-dono do Banco Santos e ex-mecenas. Fuma três maços de cigarros por dia. Casou 6 vezes, tem 4 filhos, e faz análise há 20 anos.

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