Início da safra já provoca filas no Porto de Santos

Plano logístico do governo falhou e vários caminhões foram para o porto sem ter agendado o descarregamento

Zuleide de Barros, especial para O Estado, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2014 | 02h05

SANTOS - O plano do governo federal para escoamento da safra de grãos no Porto de Santos falhou no primeiro teste. Como no ano passado, ontem a Rodovia Cônego Domênico Rangoni, antiga Piaçaguera-Guarujá, amanheceu completamente congestionada. Antes das 7 horas da manhã, a Polícia Rodoviária já registrava oito quilômetros de fila de caminhões rumo aos terminais localizados na margem esquerda do porto, no Guarujá.

O caos também foi observado na entrada da Via Anchieta por causa do grande volume de carretas em direção aos terminais da Alemoa, na entrada de Santos. Os motoristas que pretendiam subir a serra ficaram parados por mais de três horas, repetindo-se a mesma cena do primeiro semestre do ano passado.

Com a piora da situação, que começou a se deteriorar na semana passada, a Secretaria Especial de Portos (SEP) fez uma série de reuniões com a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), prefeitura de Cubatão, representantes da indústria, Polícia Rodoviária Estadual, entre outros órgãos, para diagnosticar o problema.

Segundo o presidente da Codesp, Renato Barco, o problema todo foi decorrente do não agendamento dos caminhões que vieram para os pátios reguladores, instalados em Cubatão. "Não vou dizer que fomos surpreendidos, mas foi um fluxo de veículos acima do normal."

O executivo revelou que alguns caminhões adiantaram em dois dias a data de agendamento achando que poderiam encontrar locais para estacionar na Baixada Santista. O Ecopátio, credenciado à Codesp, no entanto, operou com 85% da capacidade e não registrou filas nem na entrada nem na saída.

O diretor da SEP, Luiz Cláudio Santana Montenegro, afirmou que, de agora em diante, além das notificações que já estão sendo feitas, as empresas serão punidas com multas que variam de R$ 1 mil a R$ 2 mil por veículo que descumprir as regras de agendamento estabelecidas no ano passado. Segundo ele, os terminais já poderão ser multados a partir de hoje.

Na terça-feira da semana passada, dois terminais (Caramuru e Libra) foram notificados em decorrência de problemas no agendamento, que deram margem aos primeiros congestionamentos.

Ontem, a situação piorou, com a constatação de que nada menos que 12 mil caminhões vieram para a região, muitos deles sem nenhum tipo de agendamento, antecipando-se ao período de embarque.

24 horas. Montenegro deixou claro que o Porto de Santos tem capacidade de absorver toda a safra de grãos destinada à exportação, desde que haja um mínimo de organização. Já o presidente da Codesp destacou que o porto não pode se dar ao luxo de funcionar apenas nos cinco dias úteis da semana. "O porto 24 horas é uma realidade e não se justifica que os caminhões não transportem suas cargas nos fins de semana."

Em relação aos problemas observados nas proximidades do distrito da Alemoa, Barco declarou que a solução será dada pela prefeitura de Santos, uma vez que o local, que concentra uma série de terminais, não faz parte do porto organizado.

A prefeita de Cubatão, Márcia Rosa (PT), ameaçou tomar providências se a situação não for resolvida: "Não vou aceitar que os moradores passem mais uma vez pelo que enfrentaram hoje (ontem): médicos não chegaram aos postos de saúde, crianças não conseguiram frequentar as escolas, trabalhadores não tiveram como assumir seus postos no polo industrial. A cidade ficou travada, parada desde a noite de segunda-feira". O protesto da prefeita foi acompanhado pelos representantes das indústrias do município, que lamentaram os transtornos observados nas unidades industriais no dia de ontem.

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