Inovação, a força que transforma

Há um distanciamento entre o que se aprende na escola e o que é utilizado no mercado

David Feffer - O Estado de S.Paulo

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Inovação está na palma das nossas mãos, no modo como pensamos e agimos. Está nos pequenos gestos e nas grandes transformações. É uma força que nos motiva a ver as situações sob um ângulo diferente, a pensar fora da caixa e a evoluir de forma constante. Isso vale para nós como indivíduos, assim como para nações e empresas de todas as áreas.

A história de países que se desenvolveram com dinamismo e consistência – como Estados Unidos, China, Coreia do Sul, Israel e Japão – mostra que todos têm algo em comum: apostaram na inovação para construir uma economia transformadora e melhorar a condição de vida da população. 

O Brasil está começando, mas tem um longo caminho a ser percorrido. Segundo a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico, o nível de investimento em pesquisa e desenvolvimento do País é muito baixo para os padrões internacionais. Investimos o equivalente a 1,3% do PIB para essa área, ante 2,1% da China, 2,7% dos Estados Unidos e mais de 4,2% de países como Israel e Coreia do Sul.

Por meio de suas instituições, o governo brasileiro ensaia algumas movimentações que, apesar de insuficientes, já começam a apoiar micro e pequenas empresas. O setor privado também vem acompanhando essa onda de inovação. Empresas dos mais diversos setores – incluindo agronegócio e papel e celulose – têm crescido e ganhado força com a modernização de seus processos produtivos, promovendo mudanças em seus comportamentos para atender às novas demandas da sociedade e do mercado. Esses exemplos, entre tantos outros, mostram que temos condições de desenvolver iniciativas inovadoras e de sucesso no Brasil. Como podemos incentivar e disseminar a cultura de inovação para posicionar nossas empresas e nosso país de forma ainda mais competitiva?

O primeiro passo é diminuir as amarras que impedem o desenvolvimento: a complexidade do sistema tributário, o alto custo de financiamento, a insegurança da legislação trabalhista, a qualidade da infraestrutura e os desafios regulatórios e logísticos, além dos inúmeros entraves burocráticos. Melhorar o ambiente de negócio é outra importante meta. É preciso políticas públicas que tornem a legislação mais clara (ou um ambiente mais livre e com menos leis) e aumentem a transparência e eficiência do Estado. 

É necessário um olhar especial para as startups de tecnologia. Esses empreendedores, líderes do processo de inovação, ainda enfrentam dificuldades para buscar parcerias, acesso a financiamentos e esbarram na aversão ao risco enraizada na nossa cultura. 

Iniciativas como a plataforma virtual iTec e o Programa Nacional de Aceleração de Startups (Start-Up Brasil) contribuem, mas falta um programa que agregue todas as ferramentas e conhecimentos disponíveis, financiamento privado e programas públicos já existentes.

Tão importante quanto essas questões é investir em educação. Há um distanciamento entre o que se aprende na escola e o que é utilizado no mercado. É fundamental proporcionar habilidades produtivas aos nossos jovens. Só assim teremos profissionais mais capacitados para serem catalisadores do processo de inovação, especialmente essa geração conectada e com a mente aberta para um novo ambiente. Os profissionais de alta performance serão cada vez mais movidos por propósito e em busca de empresas compatíveis com seus valores. Assim, as companhias que fomentarem a inovação terão mais chances de atrair os melhores talentos e serem bem-sucedidas.

Do lado empresarial, não há outro caminho. Independentemente do setor de atuação, da história e cultura organizacional, as companhias precisam inovar sempre para sobreviverem. Isso inclui estarem preparadas para se adaptarem às mudanças e se reinventarem. Sabemos do potencial do Brasil e temos nas mãos a chance de liderar esse processo de transformação. Mãos à obra!

PRESIDENTE DO GRUPO SUZANO E DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO DA SUZANO PAPEL E CELULOSE

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