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Inovação devastadora

O ciclo da inovação se acelerou. O avanço na capacidade de processamento dos chips, de armazenamento de dados e da velocidade das redes de comunicação afeta todos os setores da economia. Empresas são varridas do mercado de uma hora para outra, como danos colaterais de produtos e serviços que muitas vezes nem foram lançados para concorrer com os delas.

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2014 | 02h06

Esse cenário foi chamado de "inovação devastadora" por Larry Downes e Paul Nunes, consultores da Accenture, no livro Big Bang Disruption (Portfolio/Penguin). A ruptura do título se refere ao impacto dessas tecnologias, e o "Big Bang" é uma referência à teoria sobre o surgimento do universo.

Apesar de boa parte dos exemplos vir do mundo dos aplicativos móveis, os autores mostram como novidades dessa área acabam afetando os mais diversos tipos de empresas. É o caso, por exemplo, de um restaurante tailandês em Nova York. Qual é o impacto dos aplicativos nesse tipo de negócio?

O restaurante era próximo do hotel onde estavam. Os autores não tinham nenhuma referência a respeito dele e resolveram consultar um aplicativo com resenhas de consumidores. Na porta do estabelecimento, havia outras pessoas fazendo a mesma coisa. As avaliações eram boas e eles resolveram tentar. Resenhas ruins fariam o restaurante perder muitos clientes, sem que o seu dono soubesse.

Gordon Moore é um dos fundadores da fabricante de chips Intel. Ele talvez seja mais conhecido por ter formulado a chamada Lei de Moore, pela qual a capacidade dos processadores dobra a cada dois anos. A memória e a conectividade avançam num ritmo semelhante. Como a tecnologia da informação é insumo para todas as atividades econômicas, não tem como uma empresa deixar de ser afetada.

Antigamente, havia três tipos de inovação de ruptura: a que vinha de cima, com um produto caro e sofisticado, e acabava se popularizando; a que vinha de baixo, com um produto barato de desempenho pior, e que, com o tempo, adquiria mais capacidade e dominava o mercado; e produtos especializados, que combinavam características específicas para atacar um segmento ainda inexplorado.

Segundo os autores de Big Bang Disruption, as inovações devastadoras fazem as três coisas ao mesmo tempo: são mais sofisticadas, mais baratas (às vezes gratuitas) e mais especializadas. Daí vem seu poder de destruição.

Um exemplo disso é o que o celular inteligente fez com o mercado de mapas, guias de ruas e navegadores GPS. Em 1991, um GPS automotivo da Garmin custava US$ 2,5 mil nos Estados Unidos. Atualmente, o consumidor pode baixar gratuitamente um aplicativo como o Waze, em que mapas e condições de trânsito são atualizados em tempo real. E o smartphone nem foi lançado para competir nesse mercado.

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