''''Inovação é chave da política industrial''''

Miguel Jorge: ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior[br]Hoje, apenas 30% dos produtos exportados são considerados de média e alta intensidade tecnológica, diz Jorge

Entrevista com

Milton F. da Rocha Filho e Paula Puliti, O Estadao de S.Paulo

31 de dezembro de 2007 | 00h00

O estímulo ao aumento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento e novas tecnologias é uma das chaves para o um Brasil desenvolvido e será um dos destaques da política industrial que o governo deve anunciar em breve, afirmou o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge. Ele defende que é preciso agregar valor às exportações, pois apenas cerca de 30% delas são produtos de alta e média intensidade tecnológica. Mas foi enfático ao afirmar que nenhuma política industrial é capaz de reverter, em apenas dois ou três anos, déficits comerciais tradicionais, como o do setor elétrico e eletrônico no Brasil. Tampouco acabar com a diferença tecnológica que separa o Brasil dos países desenvolvidos, em vários setores.Otimista com a nova política industrial, Jorge disse que se trata de uma grande mobilização, de vários ministérios, para o desenvolvimento industrial brasileiro. Veja a seguir a íntegra da entrevista.O governo está às vésperas de anunciar uma nova política industrial. Isso poderá elevar o crescimento da indústria brasileira e impulsionar a criação de empregos? Acreditamos que a política industrial contribuirá para o desenvolvimento do País e uma maior e melhor inserção externa da economia brasileira. Um ponto absolutamente fundamental é que ela ajudará o setor produtivo a dar um salto em direção à produção de bens e serviços de maior valor agregado. Nesse sentido, as medidas para a política industrial têm algumas metas básicas. Sabemos que nossas taxas de investimento ainda são baixas, comparadas às de outros países em desenvolvimento. Para que o crescimento seja sustentável no longo prazo, é fundamental o aumento dos investimentos, que traz o aumento da capacidade produtiva da economia, de modo geral, e da indústria, em particular.As taxas de investimentos já vêm crescendo... Essas taxas de investimento têm crescido consistentemente nos últimos anos. No terceiro trimestre, a Formação Bruta de Capital já alcançou 18,3%, ante 16,9% no terceiro trimestre do ano passado. Isso mostra que caminhamos para o aumento da capacidade produtiva da economia. A política industrial deve contribuir para que esse movimento se aprofunde nos próximos anos. O que precisa ser feito?Ampliar o investimento não basta para um necessário salto tecnológico da produção industrial. A competitividade e a produtividade dos países e de suas empresas são fortemente determinadas pelo avanço tecnológico. A tecnologia explica, também, boa parte do crescimento econômico dos países. Por isso, precisamos ampliar os investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D) e na produção de novas tecnologias. Nossas empresas industriais investem em P&D algo em torno de 0,67% das suas vendas, comparado com uma média de 2% nos países desenvolvidos. Por fim, temos que ampliar nossa inserção no mercado internacional, tanto pelas exportações quanto pela internacionalização de nossas empresas. A participação de 1,15% das exportações mundiais precisa crescer, além de agregar valor às exportações, pois apenas 30% delas são produtos de alta e média intensidade tecnológica, ante 60% das exportações mundiais. Quem é:Miguel JorgeÉ ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio desde março de 2007 Jornalista, atuou em empresas como Volkswagen, O Estado de S.Paulo e Santander. Integrou a Autolatina, projeto entre Ford e Volkswagen

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