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Inovação na crise

A indústria brasileira enfrenta um momento difícil, agravado pela crise que atinge toda a economia. A produção industrial caiu 3,2% entre janeiro e novembro do ano passado, ante o mesmo período de 2013. Diante de um cenário adverso, como falar sobre inovação, que exige tempo e investimento?

RENATO CRUZ, O Estado de S.Paulo

01 Fevereiro 2015 | 02h05

Em 2008, a quebra do banco americano Lehman Brothers foi um marco da crise da economia mundial no fim da década de 2000. Na época, conversei com o então presidente do conselho da Intel, Craig Barrett. Em quase quatro décadas de carreira, Barrett já havia enfrentado mais de dez crises econômicas. Sua recomendação para enfrentar a crise era ajustar a produção e manter os projetos de pesquisa e desenvolvimento. A empresa precisa continuar a criar produtos e tecnologia, para se preparar para a retomada da economia. Sem isso, corre o risco perder competitividade e ficar para trás na próxima onda de crescimento.

É claro que fazer não é tão simples quanto falar. Mas é um ponto importante, num momento em que as empresas brasileiras enfrentam uma crise que é mais nossa do que global. Atualmente, existem por aqui vários mecanismos de incentivo à inovação. Alguns são mais complicados, como a Lei do Bem, e acabam beneficiando poucas empresas.

Criado em 2013, o programa Inova Talentos é uma medida de incentivo que tem sido bem avaliada. Sua aplicação é simples. No Inova Talentos, as empresas apresentam projetos de inovação a serem desenvolvidos por jovens que estejam na faculdade ou que tenham se formado recentemente. O Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) paga bolsas durante um ano para esses jovens. A empresa arca com custos de recrutamento e treinamento.

Atualmente, o programa tem 275 projetos em empresas, com 335 bolsistas. Na semana passada, foi divulgada nova chamada de projetos, com 206 aprovados. Eles vão demandar mais 316 bolsistas. Cada projeto pode ter até três bolsistas. "Esse é um programa que consegue ser bem-sucedido num cenário adverso", afirmou Paulo Mól, superintendente do Instituto Euvaldo Lodi Nacional, responsável pelo recrutamento e treinamento dos bolsistas.

A Bosch tem 27 bolsistas do Inova Talentos, que trabalham em 24 projetos. Recentemente, a empresa conseguiu que mais 32 projetos fossem aprovados, com mais 44 bolsistas. "Apesar de os projetos ainda estarem em andamento, já tivemos resultados", disse Bruno Bragazza, gerente de Inovação da Robert Bosch América Latina. "Fizemos um pedido de patente que teve participação de um bolsista e temos mais um possível pedido em análise."

É uma oportunidade de reduzir o custo da inovação e, ao mesmo tempo, treinar jovens profissionais, à espera da retomada da economia.

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