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Inovações tentam derrubar poder da Nokia

ZTE lança celular parecido com o da Nokia que exige vídeos em tempo real, um segmento que representa 3%

Kevin J. O?Brien, The New York Times, BARCELONA, O Estadao de S.Paulo

18 de fevereiro de 2008 | 00h00

À primeira vista, o telefone celular, um modelo flip cinza-azulado com capacidade para exibir vídeos em tempo real à velocidade de banda larga da internet, poderá ser confundido com um dos mais de 100 modelos produzidos pela Nokia, a líder mundial na fabricação de telefones celulares.Mas este telefone, o F230, é o mais recente aparelho de alta velocidade da ZTE, de Shenzhen, China, cuja parcela do mercado global de 3% é insignificante em comparação com a participação detida pela Nokia, que os analistas calculam que tenha atingido uma porcentagem recorde de 40,2% no quarto trimestre.Mesmo assim, Li Ying Feng, gerente geral de produtos para os modelos mais avançados da ZTE, disse não se intimidar com a Nokia, cuja parcela de mercado é maior do que as parcelas de suas três principais rivais juntas - Samsung, Motorola e Sony Ericsson. À sombra da gigante, Feng disse que a ZTE está no caminho para dobrar sua venda de celulares, chegando a 60 milhões este ano."Consideramos o negócio de aparelhos telefônicos celulares muito competitivo", disse Feng durante uma entrevista aqui, no Mobile World Congress (Congresso Mundial de Celulares), uma convenção do setor. "O mercado pode mudar de uma hora para outra porque existem muitas variáveis para o sucesso".A Nokia, uma empresa finlandesa, está em boa posição para ampliar sua dianteira. O baixo custo de produção e a cadeia de distribuição da empresa estão acelerando as vendas nos mercados emergentes da África, Oriente Médio, Índia e Brasil. Somente na Índia, a Nokia está vendendo 8 milhões de celulares por mês.Entretanto, os concorrentes da Nokia dizem que a empresa ainda está vulnerável aos caprichos do setor de aparelhos celulares, com consumidores volúveis e rivais agressivos. Deixar escapar a mais recente inovação ou não perceber uma virada no estilo poderá tirar um naco da liderança da empresa em questão de meses."Decididamente o jogo não está terminado", disse Daniel Moloney, presidente da divisão de mobilidade doméstica e de rede da Motorola.A Motorola ocupa o terceiro lugar no mercado mundial, ficando atrás da Nokia e da Samsung, com uma a parcela de mercado de 12,3%, segundo a Strategy Analytics, uma empresa de pesquisa. Em 2005, a Motorola diminuiu a diferença entre ela e a Nokia com seu modelo Razr, o mesmo acontecendo em 1996 com o StarTac, o primeiro telefone celular modelo flip.Olli-Pekka Kallasvuo, diretor-presidente da Nokia, disse que, de jeito nenhum, está preparado para declarar vitória. Ao contrário, Kallasvuo disse que a Apple, com seu iPhone e que a Google e a Microsoft, que fizeram softwares que competem com o sistema operacional Symbian da Nokia, são os novos sérios concorrentes."O que temos são várias indústrias que estão convergindo, às vezes até colidindo, umas com as outras", acrescentou ele. "Sempre houve competição. E sempre haverá competição." E muitos desses competidores estão lucrando, mesmo enquanto a Nokia continua a crescer. A Samsung, da Coréia do Sul, com 14% de parcela de mercado, está a caminho de vender mais de 200 milhões de celulares este ano, um aumento de 25%, disse Yongcho Chi, vice-presidente executivo da divisão de aparelhos celulares. Em termos de mercado, há muito espaço para uma empresa como a Samsung", disse ele.O que pode vir a frear a Nokia são as operadores de telefonia celular, que estão relutantes em depender de um único fabricante de aparelhos, que poderá usar essa vantagem para exigir melhor condições nas vendas. "A Nokia é uma empresa espetacular, mas certamente é do nosso interesse garantir a existência de uma variedade de concorrentes no mercado", disse Boris Nemsic, diretor-presidente da Telekom Austria e da sua unidade sem fio, a Mobilkom Austria. O setor de aparelhos está cheio de inovadores, tais com a HTC de Taiwan e a ZTE da China, o que mantêm os preços baixos".Mas talvez a maior ameaça para a Nokia no momento venha de dentro da própria empresa, que está querendo implantar um projeto caro e ambicioso denominado Ovi para construir um negócio lucrativo de serviços de telefonia celular, uma meta que até agora tem frustrado muitas das operadoras de rede de telefonia celular. Para a Ovi, a Nokia já adquiriu uma série de empresas de software, incluindo a Navteq, uma fabricante americana de dados de mapa digital. A Nokia está pagando US$ 8,1 bilhões pela Navteq, apostando que os serviços de localização por satélite irão traçar um novo caminho para vendas e lucros.NÚMEROS40,2% foi aparticipação de mercado da Nokia, segundo analistas, no quarto trimestre3% é a fatiade mercado para celulares que exigem vídeos em tempo real, alvo da ZTE com o novo modelo60 milhõesé o total de equipamentos que a ZTE quer vender este ano, diz o presidente da companhia

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