Andre Dusek/Estadão
Andre Dusek/Estadão

Inquéritos de Fachin não atrapalham reforma da Previdência, diz consultoria

Eurasia diz que equipe econômica não é afetada por investigação e que deve prevalecer a visão de que a reforma é necessária para o cenário fiscal

Ricardo Leopoldo, correspondente, Broadcast

11 de abril de 2017 | 19h56

NOVA YORK - As aberturas de inquéritos determinadas pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal (STF) "não atrapalham as perspectivas da aprovação da reforma da Previdência Social" neste ano pelo Congresso, comentou ao Broadcast, sistema de informações em tempo real do Grupo Estado, Christopher Garman, diretor-executivo do Eurasia Group, consultoria especializada em risco político. O temor de que a investigação possa prejudicar a tramitação da proposta predominou no mercado financeiro e levou a Bolsa a fechar em queda nesta terça-feira, 11.

"Os políticos devem aprovar a reforma com medo de que sem ela poderia ocorrer um cenário desastroso para a economia", destacou. "Um outro elemento essencial que deve colaborar para a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso é equipe econômica, que a defende, não será alterada e deverá continuar", apontou Garman. Ele aponta que tal mudança estrutural continua com 70% de chances de ser aceita pelo parlamento em 2017.

"O que pode atrapalhar o encaminhamento da reforma da Previdência no Congresso é se conteúdos de delações da Odebrecht forem divulgados", disse Christopher Garman.

Na avaliação do diretor-executivo do Eurasia Group, os pedidos de abertura de inquéritos pelo ministro Edson Facchin não afetam a governabilidade da administração do presidente Michel Temer, que para ele continua com 80% de probabilidades de encerrar seu mandato no final do próximo ano. "O governo Temer seria atingido se nove ministros fossem demitidos e não investigados como ocorrerá", destacou.

"Eu acredito que os inquéritos vão atingir mais as perspectivas de nomes presidenciáveis para as eleições de 2018", relata Christopher Garman. Segundo ele, o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, é um dos políticos que pode ser afetado pelos desdobramentos dos inquéritos no médio prazo. Os senadores Aécio Neves (MG) e Romero Jucá (PMDB-RR) são os políticos cujos nomes terão o maior número de inquéritos que serão abertos, com 5 cada um. O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ex-presidente do Senado, terá seu nome envolvido em quatro inquéritos.

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