Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 17h49

A desaceleração da economia fez com que as empresas entregassem literalmente os pontos comerciais. Entre lojas, showrooms e escritórios, existe hoje uma infinidade de imóveis vagos para alugar ou vender nas Avenidas Engenheiro Luiz Carlos Berrini, Sumaré ou Rebouças, importantes corredores comerciais da cidade de São Paulo. 


A história se repete nos shoppings de luxo a céu aberto, como a Rua Oscar Freire, e no comércio popular, como o da Rua Clélia, na Lapa. O pano de fundo é a crise, que fez as empresas concentrarem as lojas para reduzir custos, especialmente nos setores mais afetados, como concessionárias de veículos. “A tendência é de que a vacância aumente cada vez mais no decorrer do ano, porque alguns varejistas vão sentir mais os efeitos da crise”, prevê Marcos Hirai, sócio-diretor da BG&H Real State, empresa especializada no setor imobiliário. No momento, ele acredita que o que está pesando mais para o crescimento no número de imóveis comerciais vagos em importantes corredores comerciais é a “mudança vocacional” das ruas e avenidas. 


A Rua Oscar Freire, por exemplo, reduto das lojas de luxo, vem recebendo marcas mais populares. Mas ainda existem, segundo Hirai, proprietários que resistem em reduzir os preços pedidos do aluguel. Por isso, a vacância é alta. No caso das Avenidas Rebouças e Sumaré, ele observa que os imóveis são grandes e os segmentos de roupas de aluguel e venda de veículos, que foram os pontos fortes dessas duas vias, respectivamente, não têm fôlego para bancar o alto custo de locação.


Na imobiliária Lello, por exemplo, aumentou em 40% no primeiro trimestre a procura por locação de imóveis comerciais com aluguel mais barato. “Muitas empresas estão deixando imóveis mais caros e indo para os mais baratos para acomodar as estruturas”, conta a diretora comercial, Roseli Hernandes.


Já no setor de grandes lajes corporativas, a vacância é alta porque há uma grande oferta. Segundo a Cushman & Wakefield, consultoria em serviços imobiliários, a vacância, que tinha fechado 2014 em 20,2%, subiu para 24% no 1.º trimestre. “O mercado de escritórios tem um ciclo longo e estão sendo entregues hoje projetos iniciados em 2010. Mas a realidade mudou”, diz Eduardo Zylberstajn, pesquisador da Fipe. Mark Turnbull, diretor de locação do Secovi-SP, diz que, por conta desse cenário, as negociações de preços ficaram mais flexíveis.

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Há dois anos esperando comprador

Faz dois anos que o imóvel localizado na altura do número 3.000 da Avenida Rebouças, um dos principais corredores comerciais de São Paulo, está à espera de um comprador. O preço pedido pelo grupo SHC, do empresário Sergio Habib, dono do imóvel, é R$ 25 milhões. Na área de 3 mil metros quadrados funcionava uma revenda de carros da Citroën, uma das primeiras da marca no País.</p>

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 18h56

Com a queda nas vendas de veículos no mercado brasileiro, que só de carros e comerciais leves encolheu 3% entre 2012 e 2013, a loja ficou inviável. A empresa tentou manter presença na avenida com uma loja menor, localizada no número 2.700. Mas essa tentativa também não deu certo. Só neste ano, 250 revendas fecharam no País, segundo a Fenabrave. 

No caso da revenda da Citroën, além da fraqueza do mercado, houve um agravante. Pela lei do zoneamento, os estabelecimentos da Avenida Rebouças só podem funcionar como showroom e não é permitido emitir nota fiscal de venda. “Nessas condições, a operação não valia mais a pena pois os custos ficaram elevados”, disse o diretor de expansão do grupo, Eduardo Cambraia. Ele contou que há interessados no imóvel, mas admitiu que o mercado imobiliário não está fácil. 

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Resistência em cortar preço é obstáculo

A resistência dos proprietários em não baixar preço tem dificultado o fechamento de contratos de locação e compra/venda, diante de um mercado imobiliário com muitas ofertas na cidade de São Paulo, tanto para alugar como para vender estabelecimentos comerciais. Faz quase um ano que o imóvel localizado na altura do número 2.700 da Avenida Rebouças, um dos principais corredores comerciais da capital paulista, aguarda um comprador ou um inquilino.</p>

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 17h30

O último locatário foi uma empresa especializada em molduras que acabou migrando para outro imóvel, cujo aluguel era menor. A mudança ocorreu porque a empresa precisou adequar a despesa de aluguel ao ritmo mais lento de vendas.

O preço pedido para a venda do imóvel é R$ 3,5 milhões e para alugá-lo, R$ 15 mil mensais. O imóvel atrai pela localização e pelo porte. Ele ocupa uma área de 360 metros quadrados (m²) em um dos principais corredores comerciais da capital. A área construída é de 320 m².

A reportagem apurou que apareceram muitas propostas para comprar o imóvel nos últimos tempos, especialmente de investidores. Mas as negociações não avançaram porque as ofertas foram bem menores em relação ao preço pedido.

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Concorrência acirrada na vizinhança

O corte de até R$ 1 mil no valor pedido do aluguel no último mês não foi suficiente para facilitar o fechamento do contrato de locação de um imóvel de 205 metros quadrados de área construída na Avenida Sumaré, um importante corredor comercial da cidade de São Paulo. A área, distribuída em três pavimentos, está há cinco meses disponível para alugar.</p>

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 17h30

No mês passado, o preço pedido para locação variava entre R$ 8,5 mil e R$ 9 mil. E, na semana passada, esse valor tinha recuado para R$ 8 mil. Mesmo assim o imóvel continuava disponível para locação.

O último inquilino do imóvel foi uma pastelaria. Antes, o tinha sido ocupado por uma doceira famosa, que permaneceu por muitos anos nesse endereço.

Mas a queda no ritmo de atividade do comércio registrada nos últimos tempos fez com que o último inquilino, a pastelaria, entregasse o ponto. Assim como outros estabelecimentos comerciais, a receita proporcionada pelo negócio acabou sendo incompatível para bancar a aluguel, num cenário em que há uma grande oferta de imóveis para alugar.

A forte concorrência no setor de locação é visível: o imóvel vizinho, de parede geminada, também está para alugar.

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Uma mensagem inusitada para atrair cliente

Quem passa pela Rua Doutor Melo Alves na frente do número 453, no bairro paulistano dos Jardins, se surpreende com uma mensagem colocada logo abaixo de uma placa de aluga-se: “Sou um ponto comercial excelente! Quer me conhecer? É só tocar a campainha na Rua Dr. Melo Alves n.º 433”.</p>

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

16 Maio 2015 | 19h07

Apesar da mensagem inusitada para chamar a atenção, a loja está vaga faz oito meses e sem candidatos a inquilinos. “A ideia de colocar essa mensagem foi da corretora. Vale tudo para chamar atenção”, contou o proprietário da imobiliária Khondo, Hélio Katz, responsável pela locação. 

O imóvel de 140 metros quadrados já foi ocupado por duas lojas de grife do setor de moda, que sentiram o impacto da crise e não conseguiram pagar o aluguel por causa da queda nas vendas. O último inquilino desembolsava cerca de R$ 15 mil por mês para ocupar a loja. Agora, o preço pedido é R$ 12 mil, sem luvas, que é um valor adicional pelo ponto comercial. E, mesmo assim, faltam interessados.“Não estamos recebendo ligação de interessados, mesmo cortando o preço”, disse Katz. Faz 20 anos que ele abriu a imobiliária e, na sua opinião, esta é a pior crise que já enfrentou na região.

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