Felipe Rau/Estadão - 21/5/2018
Felipe Rau/Estadão - 21/5/2018

Pelo WhatsApp, caminhoneiros já falam em greve em maio

Nos grupos, eles afirmam que medidas anunciadas nesta terça-feira pelo governo Bolsonaro não melhoram condições de trabalho e parecem ser apenas uma forma de protelar uma possível paralisação

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2019 | 15h33

Caminhoneiros não ficaram satisfeitos com o pacote de medidas anunciadas nesta terça-feira, 16, pelo governo Jair Bolsonaro para ajudar a categoria. Nos grupos de WhatsApp, o plano foi visto como uma “cortina de fumaça”, uma forma de protelar uma possível greve dos motoristas. Alguns já falam, com exaltação, em nova paralisação em 21 de maio - exatamente um ano depois da greve que paralisou o País - caso a situação não melhore.

Os caminhoneiros afirmam que não estão pedindo dinheiro para o governo, mas sim melhores condições de trabalho. Nas discussões, eles afirmam que soluções como a linha de crédito para manutenção do caminhão, com taxas menores, já foram testadas em outras ocasiões, mas não foram colocadas em prática. Eles citam o cartão-caminhoneiro para compra de combustíveis, que não funciona para todo mundo.

A grande reclamação é que a situação dos caminhoneiros está tão precária que poucos conseguiriam ter acesso ao crédito. Muitos, dizem eles, estão com o nome sujo na praça e não teriam acesso a esse crédito. Além disso, pegar crédito agora seria decretar a morte dos motoristas em alguns anos, reclamam. “Estão dando a corda para gente se enforcar”, dizia um deles.

Logo após o anúncia da linha de crédito para profissionais autônomos, Wallace Costa Landim, conhecido como Chorão, um dos líderes dos caminhoneiros, disse que a medida agradava a categoria e até poderia evitar a greve, mas esperava uma manifestação de Bolsonaro para bater o martelo sobre a questão.

"Inicialmente, claro que o pacote agrada (a categoria). Mas preferimos aguardar o que o presidente vai falar para comunicar oficialmente o posicionamento dos caminhoneneiros", diz o líder.

Ivar Luiz Schmidt, representante do Comando Nacional dos Transportes (CNT), tem outra percepção. Para ele, as medidas mais provocam rebelião entre os motoristas do que ajudam o setor. Schmidt afirma que o governo poderia resolver a situação dos caminhoneiros apenas se colocasse em prática a jornada de trabalho, existente desde 2012. “Se houvesse fiscalização nas estradas pela Polícia Rodoviária Federal, em 30 dias os problemas estariam resolvidos”, afirma ele.

O representante afirma ainda que crédito, na atual situação financeira dos motoristas, não resolve nada. Isso porque boa parte dos motoristas está endividada e muitos, inadimplentes. Aldacir Cadore, outra liderança do CNT na região de Brasília, destaca que o volume de crédito que será liberado conseguiria atender apenas 16 mil caminhoneiros. “Mas somos mais de dois milhões no País”, destaca ele, que não compreende porque o governo tem lançado medidas tão inapropriadas para o cenário delicado da categoria.

“Percebemos que o setor tem tido portas abertas no governo para levar suas reivindicações, mas as medidas anunciadas não atendem nossos pleitos.” Ele cita como exemplo o cartão combustível lançado recentemente para compra antecipada de diesel. “Não temos dinheiro nem para comprar o combustível da viagem. Como vamos antecipar compra do óleo?”, questiona ele. 

Cadore afirma que participa de inúmeros grupos de WhatsApp e, em todos eles, o clima tem esquentado em relação a uma nova paralisação. “Não sou a favor de greve, mas diante da atual situação não tenho coragem de pedir paciência para ninguém.” Para ele, diante da insatisfação, uma grave poderia ocorrer a qualquer momento.

 

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