JB Neto/Estadão
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Petros e Previ pedem assembleia para mudar conselho da BRF, liderado por Abilio

Principais acionistas da empresa decidiram unir forças para forçar mudanças no conselho; saída de Abilio Diniz de comando do colegiado é um dos pontos em discussão

Renata Agostini e Monica Scaramuzzo, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2018 | 17h57

Os fundos de pensão Petros, da Petrobrás, e Previ, do Banco do Brasil, enviaram neste sábado, 24, uma carta à BRF, dona das marcas Sadia e Perdigão, pedindo a realização de uma assembleia geral extraordinária, apurou o Estado com fontes ligadas aos fundos e à empresa. 

Insatisfeitos com os resultados da companhia de alimentos, que registrou prejuízo bilionário em 2017, os fundos decidiram se unir para forçar mudanças no conselho de administração da empresa, que é comandado desde 2013 pelo empresário Abilio Diniz. 

A carta não cita especificamente Abilio, segundo relato de uma das fontes. A intenção dos fundos, porém, é destituir todo o colegiado, colocando em votação uma nova chapa, o que incluiria a saída do empresário. O atual conselho foi eleito em abril do ano passado e tem mandato até agosto de 2019.

rocurados, Petros, Previ, BRF e o empresário Abilio Diniz não comentaram. 

Prazo. Com o envio da carta, o conselho de administração tem oito dias para deliberar sobre a convocação da assembleia. Caso não o façam, os fundos têm direito de convocá-la mesmo assim, já que possuem mais de 5% do capital da empresa, conforme prevê a Lei das Sociedade por Ações, conhecida como a lei das S.As.

Para levar adiante o pleito de mudanças no conselho, porém, os fundos precisarão de apoio de outros acionistas, de forma a formar maioria. A BRF não tem controle definido e seu capital é pulverizado na Bolsa. Previ e Petros são os principais acionistas, com cerca de 11% cada um. O fundo Tarpon vem em seguida, com 7,2%, e o fundo americano Aberdeen, com 5%. Abilio também é acionista por meio da Península, mas tem apenas 4% da companhia.

Contexto. O plano vem sendo arquitetado por Previ e Petros há tempos. Desde meados do ano passado, os fundos passaram a questionar de forma mais veemente os rumos da BRF. Pressionaram pela demissão de José Roberto Pernomian Rodrigues, então vice-presidente de integridade corporativa da BRF, que teve prisão decretada em julho de 2017.

Também se movimentaram para a saída de Pedro Faria, sócio da Tarpon, do comando da empresa. A BRF vinha de um prejuízo inédito em 2016, de R$ 377 milhões e seguia amargando maus resultados e perda de fatia de mercado no País. 

Petros e Previ, contudo, foram contra a eleição de José Aurélio Drummond Jr para substituir Faria. O conselho - do qual Drummond faz parte - dividiu-se na eleição, com os fundos e os representantes da família fundadora da Sadia votando contra sua confirmação.

Abilio, contudo, deu o voto de minerva, aprovando a condução de Drummond ao cargo. 

A permanência do executivo no colegiado e a divulgação na quinta-feira, 22, do prejuízo de R$ 1,1 bilhão registrado em 2017 acirrou de vez os ânimos e os fundos decidiram agir. 

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