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Insegurança com bancos e montadoras derruba bolsas

Montadoras norte-americanas finalizam seus planos de viabilidade exigidos pelo governo. Prazo vence hoje

Sueli Campo, da Agência Estado,

17 de fevereiro de 2009 | 15h55

A forte aversão ao risco comanda os negócios nos mercados financeiros mundiais nesta terça-feira em que os EUA voltam à cena após o feriado do Dia do Presidente. Preocupações com a indústria automobilística e com o setor financeiro minam o ânimo dos investidores, enquanto as montadoras norte-americanas finalizam seus planos de viabilidade exigidos pelo governo. Às 15h40, nos Estados Unidos, o índice Dow Jones opera em queda de 3,47%. A Nasdaq cai 3,75%. Na Europa, as principais bolsas terminaram a sessão desta terça-feira em queda, fechando no patamar mais baixo desde 23 de janeiro. O índice FTSEurofirst 300, das principais ações europeias, terminou em baixa de 2,5%, a 765 pontos. O indicador perdeu 7,9% neste ano, após ter caído 45% em 2008. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) cai 4,40%. A aversão ao risco também faz com que muitos investidores buscassem segurança em dólar. A moeda norte-americana opera em alta de 1,84%, com cotação de R$ 2,3220.  O pessimismo aumentou ainda mais depois que a agência de classificação Moody's Investors Service informou que a recessão em economias emergentes da Europa seria mais severa do que em qualquer outra parte devido a desequilíbrios maiores, colocando a classificação financeira de bancos locais e ocidentais sob pressão. Bovespa Na Bovespa, as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Vale apresentam forte queda de 5,79% e as ordinárias (ON, com direito a voto) amargavam baixa de 6,55%. Os investidores se deparam ainda com novas notícias sobre a negociação em torno do reajuste do minério de ferro. A China informou que não aceitará preços diferentes para o minério de ferro do Brasil e da Austrália por causa das taxas de frete, como ocorreu no ano passado. A declaração foi feita pelo secretário-geral da Associação de Aço e Ferro da China (Cisa), Shan Shanghua.  As ações do setor siderúrgico também sofrem bastante hoje. Gerdau PN caía 4,63%; Usiminas PNA recuava 3,83%; CSN ON -3,87%. A possibilidade de que uma das grandes montadoras dos EUA possa pedir concordata pressiona os papéis do setor. "O tempo está jogando contra as montadoras norte-americanas. Cada dia que passa uma solução para o problema fica mais cara e mais difícil", afirma o economista da Infra Asset, Fausto Gouveia. Esse mesmo dilema, diz, é vivido pelo setor bancário, que continua sangrando com a falta de detalhes do plano de ajuda de resgate financeiro. Termina hoje, às 19 horas (de Brasília), o prazo para a General Motors e a Chrysler submeterem seus planos de recuperação ao governo, uma condição do empréstimo federal bilionário obtido por elas. Os papéis do setor bancário também são destaque de baixa. Itaú PN perdia 6,54%; Bradesco PN -5,80% e Unibanco units -6,48%.  As incertezas são tantas que os investidores têm dificuldades em precificar os ativos, o que mantém as bolsas pressionadas. Mais difícil ainda é prever quando a curva vai virar. Ou seja, quando os indicadores econômicos e o crédito no mercado interbancário vão melhorar.

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