INSS: greve prejudica segurados

O número de pedidos de benefícios parados nas agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em todo o País deverá atingir um milhão ainda esta semana. A previsão é da própria Previdência Social.O represamento dos pedidos é provocado pela greve dos servidores da Saúde e da Previdência Social, que teve início em 8 de agosto. Como os demais servidores federais, os funcionários públicos da Saúde e da Previdência Social reivindicam 75% de reajuste e a abertura de concursos públicos - de acordo com o Sindicato dos Trabalhadores na Saúde e Previdência Social do Estado de São Paulo (Sinsprevi), existe um déficit de 18 mil servidores no INSS.Segundo informações ainda do INSS, até quarta-feira, apenas no Estado de São Paulo havia um represamento de 81.364 benefícios. Em agosto, com algumas agências funcionando, foram liberados 40 mil pedidos, mas foram registradas 30 mil novas solicitações; este mês, foram liberados 7.742 pedidos, mas entraram 2.754 novas solicitações. No entanto, o ritmo de liberação dos pedidos tende a ficar cada vez menor, porque a adesão à greve aumentou. Na semana passada, dos 155 postos do Estado, apenas 9 estavam dando expediente, todos no interior. Até sexta-feira, nenhum posto ou agência da capital estava atendendo o público. A estimativa, feita pelo próprio Ministério da Previdência e Assistência Social, é que existe adesão à greve em todo o País de 80% dos servidores do INSS; no Estado de São Paulo, esse número sobe para 90%.Quem mais sofre com a paralisação são os segurados, que não têm a quem recorrer para a liberação de seus benefícios. Isso está ocorrendo, por exemplo, com a técnica de contas médicas Cleide Aparecida Montans de Oliveira. Ela deu entrada no pedido de auxílio-doença no dia 2 de agosto. Passou pela perícia do INSS dia 8, mas até hoje seu pedido não foi liberado. "Até julho, ainda recebi da empresa, mas agora não tenho mais a quem pedir emprestado." Situação parecida enfrenta o aposentado Luís Antônio Erse Fernandes, que está de mudança para Portugal, mas não consegue dar entrada na transferência do benefício para Lisboa. Enquanto isso, fica retido no País. Para o assessor do Sinsprevi Sérgio Domingues, a culpa é do próprio governo, que não negocia e quer jogar o público contra os servidores.

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