Instabilidade asiática deve afetar commodities brasileiras

Os prováveis ajustes na economia chinesa poderão respingar no Brasil. O principal efeito da desaceleração deverá ser visto nas exportações brasileiras de commodities, segundo avaliação do economista Fabio Silveira, da RC Consultores.

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

"O grande problema é que ninguém sabe quanto há de crédito podre na economia chinesa. O que se sabe até agora é que existe a estratégia do governo de reduzir a concessão de crédito e criar limitações. Isso começou a ser feito pelo banco central chinês no início do ano, mas em um ritmo bem lento", explica Silveira.

Ainda que não se saiba em que proporção será feita a desaceleração do crédito na China a partir de agora, o fato é que haverá efeitos por aqui. "A correia de transmissão entre o Brasil e a China são as commodities.

Se o índice de inadimplência entre os chineses for de pequena proporção, entre 3% e 4%, podemos esperar uma derrubada de 10% a 20% nos preços internacionais das commodities, porque as encomendas de commodities vão perder o ritmo", adverte.

Além de prováveis problemas para grandes exportadores de minério de ferro e de grãos, a queda na cotação das commodities deverá causar arranhões na balança comercial brasileira.

Segundo cálculo de Silveira, as perdas causadas pela cotação menor podem chegar a até US$ 10 bilhões - ou seja, o saldo da balança comercial brasileira nos próximos 12 meses poderia, neste cenário, encolher de US$ 15 bilhões para US$ 5 bilhões.

"Se isso acontecer será inevitável que o Banco Central brasileiro mexa no câmbio, desvalorizando a moeda brasileira para de alguma forma compensar a queda nas exportações", analisa o economista da RC Consultores.

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