Instabilidade e juros reduzem mercado de crédito

A instabilidade na economia e as altas de juros fizeram as empresas colocar o pé no freio na produção e nos investimentos. Um bom termômetro é o mercado de crédito. Em agosto, as novas concessões de créditos para as pessoas jurídicas caiu 7,2%, somando R$ 46,2 bilhões. O consumidor também tem se mostrado retraído. A queda no fluxo das operações de empréstimos com os bancos foi de 3,9% no mês, totalizando R$ 23 bilhões."Essa é uma situação pontual. Num momento de nervosismo, as empresas dão uma parada de arrumação", avalia o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. Por outro lado, ele enfatiza que as pessoas físicas estão aproveitando recursos extraordinários, como a correção do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referente aos planos Verão e Collor I, para quitar dívidas antigas e estão evitando efetuar novas operações.Quem precisar de recursos emprestado vai ter que pagar uma das taxas mais elevadas dos últimos anos. Apesar da taxa de captação dos bancos ter diminuído em agosto, isso não foi repassado para os tomadores de crédito. A diferença entre a taxa de captação das instituições financeiras e o valor cobrado dos clientes (spread) se manteve, em agosto, na casa dos 140,3 pontos percentuais para o cheque especial, e subiu de 58,3 para 59,6 pontos percentuais para o crédito direto ao consumidor, em comparação com julho.No caso das operações para aquisição de veículos, essa diferença passou de 20,7 para 22,1 pontos percentuais no mesmo período. Para as pessoas jurídicas, as modalidades de crédito de curtíssimo prazo (hot money) subiram de 27,5 para 32,9 pontos percentuais. Nesse mesmo período, o custo de captação dos bancos caiu de 25,7% ao ano para 24,8% ao ano nas operações com pessoas físicas e de 21% ao ano para 20,8% ao ano, para as empresas.A inadimplência vem se mantendo na casa do 7%. "Esse é o nível verificado em 2001", destaca Lopes. Segundo ele, apesar do retrato ruim em agosto, o ponto positivo é que as estatísticas mostram que o sistema financeiro financeiro brasileiro está preparado para uma retomada do crescimento e do crédito de forma sustentável. "A inadimplência é baixa, os bancos estão mais seletivos e os crédito duvidosos estão provisionados. Quando essa volatilidade passar, há um cenário propício para retomada do crédito de forma saudável", avalia Lopes.

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