Instabilidade reduz ritmo da economia, avalia o Copom

A instabilidade econômica recente está fazendo com que o ritmo do nível de atividade perca dinamismo. É o que reconhece o Banco Central na última ata do Comitê de Política Monetária (Copom), segundo ata divulgada hoje. O maior impacto é no setor industrial. A maioria dos dados referentes à indústria mostrou queda em maio em relação a abril, e indicadores preliminares apontam uma nova redução da produção industrial em junho. "Segundo o IBGE, a produção caiu 5,1% e, de acordo com a CNI, houve queda no emprego (-0,1), nas horas trabalhadas na produção (-4,1%), na massa salarial (-0,6%) e na utilização da capacidade instalada (-1,2%)", relata o documento. Segundo o BC, há também perspectiva de queda do Índice de Expectativa do Empresário Industrial. O BC chama atenção, no entanto, que a apesar dos resultados negativos do setor industrial há fatores que têm "amortizado" a desaceleração do nível de atividade. Entre esses fatores, o BC citou a produção agrícola, que esse ano deve ser maior que a de 2001, "com algumas culturas crescendo acima de 10%, como soja, trigo, café e laranja". Na avaliação do BC, a demanda tem se sustentado em decorrência da melhoria da renda agrícola, da liberação dos saldos do FGTS e dos gastos com programas sociais. Os diretores do BC avaliam que o clima de insegurança que impera nos mercados de capitais tem reduzido a liquidez internacional. De acordo com a ata da reunião da semana passada do Copom, essa insegurança tem sido causada pelas fraudes contábeis de grandes companhias norte-americanas. A insegurança acaba por provocar um aumento da aversão ao risco por parte dos investidores, o que reflete automaticamente na redução da liquidez internacional. "Isso tem impactado de forma assimétrica os países emergentes,principalmente aqueles com maiores necessidades de financiamento do balanço de pagamentos", argumentam os diretores do BC. Na avaliação do Copom, esse quadro tem se agravado pela ausência de recuperação da atividade econômica dos países avançados e pelo declínio do comércio internacional. De acordo com a análise sobre o ambiente externo feita pelo Copom, os diretores do BC ressaltam que ainda permanece um clima de indefinição quanto ao cenário de recuperação da atividade econômica dos Estados Unidos. As expectativas para o comportamento da economia japonesa, no entender do BC, são "mais otimistas" quanto à recuperação do nível de atividade. Na área do euro, o Copom ressalta que a demanda doméstica continua estagnada e a taxa de desemprego, estável, no patamar de 8,3%. Na Argentina, o que o Copom destaca é que a atividade econômica permanece em desaceleração, embora alguns indicadores de demanda, como vendas em supermercados e construção civil, tenham apresentado crescimento em maio.

Agencia Estado,

24 de julho de 2002 | 15h08

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