Instagram muda regras de uso e irrita usuários em todo o mundo

Primeira mudança desde a compra pelo Facebook deu a entender que imagens podem ser vendidas sem consulta

GUSTAVO CHACRA , CORRESPONDENTE / NOVA YORK, O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h03

Os 100 milhões de usuários do Instagram, uma rede social de fotos adquirida pelo Facebook por US$ 1 bilhão no início deste ano, estarão sujeitos a novos termos de uso do aplicativo a partir de 16 de janeiro, incluindo mudanças que podem afetar a privacidade das pessoas.

A decisão irritou usuários em todo o mundo, com muitos ameaçando abandonar o Instagram caso as medidas sejam implementadas. Muitos usuários utilizaram o próprio Instagram para protestar. Um deles fazia um sinal obsceno com a mão e pedia para Mark Zuckerberg, presidente do Facebook, vender a imagem. Outro xingava o fundador da rede social.

Diante dos protestos, o Facebook informou que deixaria a linguagem mais clara para evitar interpretações erradas. No texto publicado no aplicativo inicialmente, havia um trecho dizendo que, daqui a um mês, as imagens poderiam ser vendidas.

A mudança se deveu a uma necessidade de o Facebook criar uma alternativa para conseguir monetizar o gigantesco investimento nesta startup fundada há apenas três anos. Segundo o texto inicial, posteriormente removido, usuário passaria a "concordar que uma empresa possa pagar para usar as suas fotos" e outros dados "para promoções publicitárias sem nenhuma compensação para você".

Interpretação. Muitos interpretaram a medida como uma decisão do Facebook de vender as fotos do Instagram. Em comunicado colocado na noite de ontem, Kevin Systron, fundador e responsável pelo aplicativo no Facebook, afirmou não ser a intenção da empresa "vender as fotos dos usuários", e o problema teria sido uma interpretação errada dos novos termos de uso.

"Para dar mais contexto, imaginamos um futuro em que tanto os usuários como as marcas promovam suas fotos e suas contas para aumentar engajamento e conseguir seguidores mais significantes", acrescentou.

Analistas do mercado de tecnologia já esperavam mudanças. O investimento do Facebook, de US$ 1 bilhão, gerava a necessidade de encontrar um modo de ganhar dinheiro com o aplicativo.

O Instagram foi criado em 2010 e, em menos de dois anos, começou a ameaçar até mesmo o Facebook. Diante do crescimento, Zuckerberg decidiu adquirir o aplicativo no início deste ano. Entre os fundadores, está o brasileiro Mike Krieger.

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