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O Pix tem tudo para ser um sistema de adoção maciça, com grande peso nas transações eletrônicas do País

Ana Carla Abrão*, O Estado de S.Paulo

17 de novembro de 2020 | 04h00

O Sistema Pagamentos Brasileiro (SPB) é, reconhecidamente, um dos mais eficientes do mundo. Herança do período em que a inflação superava vários dígitos e que, por isso mesmo, de um tempo em que tempo era, literalmente, dinheiro (ou perda dele), o SPB é o conjunto de regras e operações que permitem que as transações financeiras entre os diversos agentes econômicos sejam compensadas e liquidadas. 

Isso vale para cartões de crédito, transferências eletrônicas, compensações de cheques, etc. Ou seja, engloba as transações do dia a dia de milhões de pessoas e empresas que precisam transferir recursos entre si e entre os diversos participantes do mercado financeiro. Mais do que isso, o SPB é a face da liquidação de pagamentos de um sistema financeiro que é referência mundial. 

Mas o mundo avançou e novas tecnologias permitiram que também o sistema de pagamentos evoluísse e ganhasse outro ritmo, ampliasse seu escopo e incorporasse outros participantes. Surgiram as instituições de pagamentos – entidades voltadas às transações de pagamentos – e os consumidores se tornaram mais exigentes, quanto com sua experiência como usuário de serviços quanto com a rapidez das operações. Tanto que a ampliação dos sistemas de pagamentos para permitir que as transações eletrônicas aconteçam de forma instantânea, 24 dias por dia, 7 dias por semana, se tornou uma tendência global. 

Reflexo dos avanços tecnológicos que permitem que os ganhos de eficiência também cheguem às transações de pagamentos e como resposta ao comportamento cada vez mais exigente por parte do consumidor, países como Estados Unidos, Austrália, África do Sul, Índia, China, México e algumas partes da Europa, já contam com sistemas de pagamentos instantâneos que operam de forma ampla e integrada.

O Brasil não poderia ficar para trás e perder a liderança que sempre nos caracterizou em tudo que se refere ao sistema financeiro. É nessa esteira que surge o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos que o Banco Central do Brasil (BCB) desenvolveu e disponibilizou desde ontem por meio das instituições financeiras e empresas participantes. A iniciativa teve início em 2018, quando o BCB criou o Fórum de Pagamentos Instantâneos com participantes de mercado, e avançou de forma particularmente intensa em 2020, culminando com o seu lançamento ontem. 

Por ser fácil de usar, ter um custo reduzido, ser uma plataforma aberta e carregar a credibilidade de ser operado pelo Banco Central, o Pix tem tudo para ser um sistema de adoção maciça e que rapidamente poderá assumir representatividade relevante no total de transações eletrônicas no Brasil

Basta notar o número de usuários já cadastrados, que supera os 50 milhões de pessoas, para se estimar uma representatividade superior a 20% das transações eletrônicas nos próximos anos – isso considerando que o volume de transações eletrônicas deverá crescer substancialmente dada a aceleração de tendências geradas pelas restrições vinculadas à pandemia da covid-19

Há sim desafios, e eles não são pequenos. Nossa dimensão continental, os elevados volumes escalados pelo tamanho da nossa população e as ameaças de fraudes naturalmente presentes numa sociedade pouco educada financeiramente, impõem a necessidade de atenção, de investimentos e de vigilância. O BCB está ciente disso. 

Ao colocar de pé uma solução que abrange toda a cadeia de pagamentos – desde a interação com o usuário até a compensação e liquidação das transações –, operando diretamente etapas intermediárias fundamentais dessa cadeia como, por exemplo, a base de endereçamento e a resolução de disputas, ele terá o pulso dessa nova infraestrutura e deverá agir em sua proteção. 

Finalmente, vale lembrar que ações dessa natureza têm efeitos sistêmicos que vão muito além da conveniência e da necessária manutenção do bom funcionamento do sistema brasileiro de pagamentos. Elas têm impacto relevante na sociedade como um todo. Ao democratizar e ampliar o acesso da população a serviços financeiros e fomentar novas soluções financeiras, estamos também falando da oferta de um bem público cujos benefícios são, por definição, amplos. 

Aqui entram inovação e a inclusão financeira. A primeira vem acompanhada de novos produtos e serviços que ampliam o bem-estar ao gerar ganhos de produtividade e reduzir fricções. A segunda se relaciona a um novo impulso de inclusão financeira, contribuindo para reduzir as nossas enormes desigualdades sociais. Esse sim é o maior dos ganhos que, como parte da agenda BC#, deverá continuar convivendo com a manutenção de um Sistema Financeiro Nacional seguro, eficiente, inovador e agora ainda mais acessível a brasileiros e brasileiras que poderão, na tela do seu celular, fazer transferências e executar transações de pagamento, instantaneamente.

*ECONOMISTA E SÓCIA DA CONSULTORIA OLIVER WYMAN. O ARTIGO REFLETE EXCLUSIVAMENTE A OPINIÃO DA COLUNISTA

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