Instinto "de manada" tem guiado mercado, diz Malan

O ministro da Fazenda, Pedro Malan, disse nesta terça-feira que um "instinto de rebanho, de manada" tem marcado o comportamento do mercado em relação ao Brasil. "Não aconteceu nada fundamental na economia brasileira nas últimas semanas que justifique essa histeria, esse pânico - usando o termo do Koheler - que assaltou alguns corações e mentes mais frágeis do mercado", disse Malan durante uma entrevista coletiva. "Isso pode ser revertido", acrescentou.Segundo ele, os mercados financeiros globais estão passando um momento de elevada aversão ao risco, gerado principalmente pelos escândalos contábeis em empresas como Enron, WorldCom e Vivendi. "Espero que isso seja passageiro pois não acho que essas questões (contábeis) sejam regras", disse. "Além disso, vivemos um momento que deve ser visto como natural num regime democrático, um ano eleitoral traz um grau de turbulência maior do que num ano comum." "Não devemos nos deixar levar por tentativas equivocadas de precificar tudo, usando um jargão do mercado", afirmou. "A idéia que toda e qualquer incerteza possa e deva ser precificada me parece errada e é isso que acontece por parte de alguns".OposiçãoMalan voltou a ressaltar a importância do debate público que antecede as eleições. "Estão havendo avanços importantes; partidos políticos estão abandonando posições, posturas, declarações, decisões em suas convenções nacionais, de seus diretórios e executivas nacionais, considerando que estavam equivocados", disse. "Mas a grande questão é saber o grau de credibilidade que essa conversão tem, pois ela exige uma grau de convicção para que ela atinja um grau de credibilidade."Segundo o ministro, "não se governa com discursos baseados em idelologias ou imposições voltadas para atender apenas as expectativas da militância". Ao ser questionado sobre qual o partido a que se referia, Malan disse que era "o principal partido de oposição do Brasil, que vocês sabem qual é".Superávit primárioMalan afirmou que a meta de superávit primário de 3,75% para este ano e 2003 é adequada para o momento atual. Segundo ele, um superávit de 3,75% do PIB permite colocar a dívida numa trajetória declinante nos próximos anos. "O importante é preservar o superávit primário nessa ordem de grandeza."Acordo com FMIMalan voltou a não descartar a possibilidade de o Brasil vir a negociar um acordo de transição com o Fundo Monetário Internacional. "Essa questão tende a ser colocada de uma forma binária, como se fosse duas pontes extremas, ou seja, que o não há menor possibilidade de haver um acordo com o fundo ou sim, teremos um acordo amanhã", disse. "O mundo real é muito mais complexo e não podemos de forma alguma eliminar essas possibilidades que estão ao nosso alcance como País acionista do FMI."

Agencia Estado,

09 de julho de 2002 | 15h41

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