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Instituição ‘respeitável’ não faria avaliação como a do FMI, diz Mantega

Ministro desqualificou relatório do fundo que aponta o Brasil como um dos emergentes mais vulneráveis às mudanças da economia mundial

Renata Veríssimo e Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

29 de julho de 2014 | 20h03

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, desqualificou nesta terça-feira, 29, o relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmando que o Brasil seria um dos países emergentes mais vulneráveis às mudanças da economia mundial. O ministro disse que em uma instituição financeira respeitável não há esse tipo de avaliação como a do FMI.

Por mais de uma vez, Mantega disse não ter informação sobre "o escalão" dentro do FMI responsável pelo relatório. "O relatório é de uma equipe do FMI que não sei quem é. Não é o diretor para o Hemisfério Sul", afirmou. 

Mantega disse que o FMI comete o mesmo equívoco perpetuado por outros no passado, quando afirmaram que o Brasil enfrentaria uma tempestade perfeita ou estaria entre as cinco economias mais frágeis. Segundo o ministro, ninguém mais falou nesse assunto e nada aconteceu. 

Mantega destacou que, nos últimos seis meses, o câmbio teve uma baixa volatilidade e o real foi a moeda que mais se valorizou (9,4%) em relação a todas as moedas. "Portanto, se fortaleceu", disse. Ele ressaltou ainda o aumento das bolsas de valores de 21,5% nos últimos seis meses. Além disso, segundo ele, o Brasil teve, de janeiro a junho deste ano, uma conta financeira melhor que nos seis primeiros meses de 2013, quando já foi bom. Ele enfatizou também a entrada de investimento estrangeiro direto desde 2011. "Portanto, é um país atrativo", comentou. 

O ministro lembrou a emissão externa feita na semana passada pelo Tesouro Nacional do Global 2045, um título com 30 anos de vencimento e taxa de retorno de 5,13%. "São sinais de que o Brasil tem a confiança do mercado internacional e é sólido do ponto de vista cambial."

O ministro sublinhou que o Brasil tem reservas internacionais altas, a quinta maior do mundo, o que deixa o País numa situação confortável. Ele citou ainda a pequena dívida externa de curto prazo que, segundo ele, é de apenas 7,6% de um total de US$ 330 bilhões. 

Mantega disse que o Brasil tem um sistema financeiro sólido e pouco alavancado. "O Brasil tem uma situação bastante sólida, que nos permitiu atravessar as turbulências causadas pela retirada dos estímulos pelo Fed e isso foi superado e nos colocou à prova. Então, não faz sentido a conclusão desse relatório. Eu não li o relatório. Só nos onlines", disse, segurando uma notícia do Broadcast. "Com seis meses de atraso, o FMI repetiu o erro cometido no passado por outros analistas", declarou. 

O ministro afirmou que a avaliação feita no relatório não tem sido incluída nas análises das instituições financeiras respeitáveis. Ele disse que o déficit em transações correntes no ano passado foi afetado negativamente pelo déficit da conta petróleo, que, segundo ele, este ano, está melhor. Mantega afirmou que a Petrobrás está aumentando a produção de petróleo, o que vai melhorar o déficit comercial da conta petróleo. Ele disse que, se houver uma melhora da economia mundial, também será sentido nas contas externas do Brasil. "Estamos no pior momento do comércio internacional", disse. 

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