Instituições cobram mais por empréstimo

O momento não é indicado para contrair dívidas. Alguns bancos e financeiras seguiram o Banco Central e já repassaram ao consumidor a alta da taxa básica de juros, que se movimentou de 18% ao ano para 21%. A iniciativa encarece as principais modalidades de crédito, com destaque para o empréstimo pessoal e o Crédito Direto ao Consumidor (CDC). Na opinião do vice-presidente da Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro de Oliveira, o reajuste dos juros para o consumidor é desnecessário, porque as taxas cobradas pelas instituições financeiras já estão elevadas. O professor de matemática financeira José Dutra Vieira Sobrinho compartilha da opinião e destaca que, principalmente no cheque especial e no cartão de crédito, não há espaço para aumento das taxas. Ambos afirmam que o melhor, para o consumidor, é esperar a passagem do período de turbulência. Segundo eles, quem não tiver urgência em tomar dinheiro emprestado ou adquirir bens deverá aguardar o fim do período eleitoral, que dá margem a muitas especulações no mercado financeiro. Só valerá a pena contratar um empréstimo agora para quitar uma dívida mais cara, como a do cheque especial e a do cartão de crédito, cujas taxas de juro podem chegar a 11,40% e 13,05% ao mês, respectivamente. Quem não puder esperar deverá pesquisar as diferentes taxas cobradas pelo mercado e optar pelo prazo mais curto. Mas a melhor estratégia, na opinião dos especialistas, é guardar dinheiro para comprar à vista. RepasseAinda nesta semana, o Banco Cacique vai reajustar a taxa mínima para o empréstimo pessoal, de 6,5% ao mês para 6,8%, e a máxima, de 6,7% para 7% ao mês. Quem pretende financiar um carro novo ou seminovo vai precisar refazer o orçamento. Na Volkswagen, além da alta das taxas, o prazo do parcelamento encolheu. Com uma entrada equivalente a 20% do valor do veículo, era possível financiar a compra em até 24 meses, com juros de 2,59% ao mês. Desde a semana passada, com o mesmo valor de entrada, o comprador só poderá parcelar em até 12 meses, com juros de 2,99%. O banco GM elevou as taxas de 2,50% para 2,72% em financiamento de 12 meses; de 2,75% para 2,99%, em 24 meses; e de 2,95% para 3,19%, em 36 meses, com entrada mínima de 20%. Nos principais bancos de varejo, o cliente que contratar um CDC vai arcar com juro mensal entre 2,83% e 6,95%, dependendo do prazo. No empréstimo pessoal, as taxas variam de 3,10% a 6,10% ao mês. Ainda assim, elas são mais baixas que as cobradas pelas financeiras, cuja média é de 12,5% ao mês. O Bradesco e o Mercantil de São Paulo foram os únicos que admitiram reajuste no cheque especial. No Bradesco, a taxa mensal subiu de 8,80% para 9%. A tarifa do Mercantil pulou de 8,90% para 9,10%. O Banespa, o Real e o Santander ainda não tomaram uma decisão. As administradoras de cartão de crédito não alteraram as taxas de juro cobradas dos clientes, com exceção do Bradesco, que reajustou a taxa do cartão Gold, de 10% para 10,2% ao mês; e do Gold Internacional e do cartão local, de 10,82% para 11,05%.

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