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Instituições e analistas comentam pacote de medidas

O anúncio nesta terça-feira do pacote de medidas do governo federal para a redução do spread bancário causou diferentes reações entre instituições financeiras e analistas. A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP) avaliou que o pacote é bem-vindo, embora seja insuficiente para gerar impacto na economia brasileira. Para tanto, o presidente da entidade, Abram Szajman, afirmou que é necessário mudar a estrutura dos gastos públicos. "É necessário que o governo lance mão de medidas adicionais, entre elas uma ampla reforma na estrutura de gastos públicos de forma a reduzir e controlar o tamanho da dívida interna", disse.Para a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as medidas adotadas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) contribuirão para estimular a concorrência entre as instituições financeiras pela preferência dos clientes. "Sua efetivação dependerá, agora, das subseqüentes resoluções e circulares que regulamentarão, em detalhe, as seis medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega", diz nota da entidade.De acordo com João Rabêllo, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), o pacote de medidas terá impacto no custo do crédito, mas não imediato. "Todas as ações visam aumentar a concorrência entre os bancos e reduzir o spread, mas várias terão efeito gradativo", disse.O presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi), Érico Ferreira, disse que a medida da cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é muito favorável às pequenas financeiras, que têm dificuldade de captação de recursos pelo menor porte. No geral, o executivo avalia que todas as medidas anunciadas hoje para a redução do spread foram positivas e que devem, de alguma forma, aumentar a competição entre os bancos.AnalistasApesar do entusiasmo do governo com a divulgação das medidas, analistas de crédito ouvidos pela Agência Estado avaliam que, na prática, as regras que o Executivo pretende editar não devem ter qualquer impacto relevante sobre as taxas cobradas do tomador pessoa física.A exceção fica com o cadastro positivo que, para os analistas, pode levar a uma redução da inadimplência, no médio ou longo prazos, e, por conseqüência, a uma queda nas taxas de juros cobradas nos empréstimos. "A depender do bom uso do cadastro, será possível reduzir a inadimplência quem sabe, nos próximos seis meses, dos atuais 7% para algo em torno de 4%. E isso pode ser revertido para as taxas finais", diz Álvaro Musa, da consultoria Partner, especializada em crédito ao consumidor.As outras medidas anunciadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na opinião dos especialistas vão no sentido correto, pois contribuem para a melhoria da eficiência no sistema financeiro, mas não devem alterar de forma significativa as taxas dos empréstimos. "É preciso entender que o devedor que muda de banco para pegar empréstimo é o mesmo que, hoje, já toma em diferentes instituições e, provavelmente, é inadimplente. As instituições não competirão por ele", diz o economista Alberto Borges Matias, do Instituto de Ensino e Pesquisa em Administração (Inepad) da USP, sobre a portabilidade do crédito.Para analista da Standard & Poor´s (S&P), Milena Zaniboni, a iniciativa do governo é positiva, mas dificilmente levará a uma maior concorrência no setor bancário, como deseja o ministério da Fazenda. "Tenho dúvidas sobre até que ponto a portabilidade do crédito ou a conta salário elevarão a concorrência. Acredito que já existe bastante concorrência entre os bancos por clientes e que eles não irão brigar entre si por meio de redução de taxas.", diz.Da mesma forma que são unânimes em elogiar o cadastro positivo e avaliar como "de baixíssimo impacto sobre as taxas" as outras medidas que o governo pretende editar, os analistas também concordam ao dizer que os spreads não cairão enquanto o governo não atacar os três principais fatores que, na opinião deles, influenciam o custo do crédito no Brasil: o nível de depósitos compulsórios no Banco Central superiores a 40% do total arrecadado pelos bancos, os impostos diretos e indiretos que incidem sobre os empréstimos no País e a maior taxa de juros básica, a Selic (atualmente em 14,25% ao ano) do mundo.Para Musa, da Partner, apenas uma redução nos depósitos compulsórios traria um efeito imediato sobre as taxas de juros, por conta da injeção de recursos que ocorreria no mercado e o conseqüente ganho de escala para os bancos. "As medidas jogam a favor, mas só uma queda dos compulsórios teria um impacto relevante", diz.

Agencia Estado,

05 de setembro de 2006 | 20h57

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