Instituições já prevêem superávit de US$ 10 bilhões na balança

O saldo comercial do País deverá ultrapassar a última previsão do governo, de US$ 9,5 bilhões, e romper a barreira dos US$ 10 bilhões. Esta é a perspectiva com que já trabalham instituições como o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB) e bancos como o Modal e o BBV. Outros, como a Caixa Econômica Federal (CEF), admitem rever as projeções a partir de semana que vem.O Ipea já revisou, esta semana, a projeção de superávit para o ano de US$ 7,7 bilhões para US$ 10,4 bilhões, segundo o coordenador do Grupo de Acompanhamento Conjuntural (GAC) do instituto, Paulo Mansur Levy. ?As exportações vêm tendo desempenho melhor do que o previsto, em parte porque o câmbio se desvalorizou mais forte?, afirma Levy, ressaltando, que o saldo não reflete o câmbio atual, mas a trajetória de mais longo prazo.O diretor-executivo da AEB, José Augusto de Castro, já admite que o superávit pode chegar ao redor de US$ 11 bilhões. Os cálculos de Castro levam em conta, nos últimos 64 dias úteis do ano, uma média diária de US$ 250 milhões para as exportações (a média em setembro foi de US$ 309 milhões e no acumulado do ano de US$ 230 milhões) e de US$ 195 milhões para as importações (que havia sido de US$ 191 milhões mês passado e de US$ 188 milhões no acumulado).Castro avalia que o crescimento sazonal das importações no fim do ano será prejudicado pela indefinição econômica e cambial. O câmbio está elevado e há impasses nas negociações para compras de produtos de fim de ano, além do baixo nível de atividade.O Ipea também reviu a taxa de crescimento do PIB para o ano de 1,5% para 1,3%. ?Ninguém vai assumir compromisso de importar assim?, afirma o diretor da AEB. A secretária de Comércio Exterior do governo, Lytha Spíndola, reconhece que as importações podem ser afetadas, mas mantém a previsão anunciada pelo Ministério do Desenvolvimento, de US$ 9,5 bilhões. ?Esperamos um aumento menor do que nos anos anteriores das importações para o fim do ano, mas, por sazonalidade, há pequena redução de exportações e algum aumento das importações?, afirmou. Lytha pondera que o impacto das exportações de produtos agrícolas nos últimos trimestres do ano é menor ? sobrou pouca soja para escoar em outubro, por exemplo. Além disso, há dúvidas sobre os gastos futuros com a importação do petróleo, por conta de eventual variação dos preços internacionais. A possibilidade de um conflito no Oriente Médio pode afetar as cotações.Na avaliação da economista do banco Modal, Carla de Castro Bernardes, a balança precisaria cravar superávits ao redor de US$ 715 milhões ao mês até o fim do ano para se alcançar um saldo de US$ 10 bilhões. Carla e o economista do BBV, Fernando Honorato Barbosa, prevêem saldos positivos de no mínimo US$ 800 milhões por mês até o fim do ano. No acumulado dos últimos 12 meses, o superávit já é de US$ 9,245 bilhões.Os saldos projetados pelos economistas substituiriam os superávits verificados nos meses de outubro, novembro e dezembro do ano passado, respectivamente de US$ 248 milhões, US$ 286 milhões e US$ 855 milhões, e entrariam no acumulado até o fim deste ano.O coordenador de macroeconomia da área de cenários da CEF, Edson Luiz Soares mantém a projeção de saldo de US$ 9 bilhões, mas cita que poderá divulgar nova projeção na semana que vem.Outras instituições financeiras deverão fazer o mesmo, na avaliação da gerente do departamento econômico do BNDES, Ana Cláudia Além. O BNDES não faz projeções, mas colhe previsões de outros bancos. A média das últimas projeções colhidas, em setembro, aponta para um saldo de US$ 8,5 bilhões no ano. ?A média ainda está neste patamar. Mas certamente as próximas projeções deverão ser refeitas para cima, para perto dos US$ 10 bilhões?, disse a economista.

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