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Instituições têm só 3% do sistema financeiro

Apesar da pequena participação no mercado, cooperativas já oferecem serviços dos grandes bancos

Josete Goulart, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2016 | 23h00

As cooperativas de crédito ainda ocupam uma fatia pequena na “pizza” do sistema financeiro brasileiro, de apenas 3%. Mas a cada dia estão ficando mais parecidas com grandes bancos, ofertando toda gama de produtos financeiros, registrando lucros na casa do bilhão e ocupando espaços antes restritos a grandes bancos nacionais ou internacionais.

Em maio, a Sicredi, uma das maiores do País e que no ano passado lucrou R$ 1,4 bilhão, vai inaugurar uma agência de 750 metros quadrados em plena Avenida Paulista, um dos endereços mais caros do País. Também neste ano, o logotipo da Sicredi passou a ser visto nas rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol – a cooperativa patrocina diversos clubes de menor porte.

A Sicredi também está empreendendo um crescimento para toda a região Nordeste. Até o fim do ano, a cooperativa terá agências em 20 Estados brasileiros.

Agências. Essa expansão por todo o País já faz das cooperativas de crédito a segunda maior rede de agências do País, atrás apenas do Banco do Brasil, segundo dados do Banco Central. Se postos de atendimento e caixas eletrônicos forem incluídos na conta, a importância das cooperativas fica um pouco reduzida, mas mesmo assim elas ainda ocupam o sexto lugar.

De acordo com estudo realizado pela consultoria alemã Roland Berger, as cooperativas de crédito têm hoje potencial para se tornarem um antídoto à grande concentração bancária no País, que ficou ainda maior depois que o HSBC foi comprado pelo Bradesco, em 2015.

Até o fim deste ano, há a expectativa de que o americano Citibank deixe o varejo brasileiro – entre seus potenciais compradores destacam-se dois bancos já bastante fortes no mercado, como o Itaú e o Santander. Hoje, o domínio que instituições como Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander têm do setor é considerado mais forte na comparação com o resto do mundo.

Aposta. Embora a concorrência no mercado esteja cheia de “pesos-pesados”, o presidente da Sicredi, Edson Nassar, diz que há muito espaço a ser ocupado pelas cooperativas. “Temos 97% do mercado a conquistar”, diz Nassar, em referência à fatia de 3% das instituições no sistema financeiro.

A Sicredi não está sozinha na busca de uma atuação mais abrangente. Desde que o Banco Central (BC) permitiu que as cooperativas de menor porte deixassem de ser exclusivas de uma categoria, a Confresol tem investido para conquistar clientes fora do setor agrícola, sua origem. A Confesol tem hoje convênio com o Banco do Brasil e a Rede 24 horas para que seus clientes possam efetuar saques em caixas eletrônicos.

Para ficarem cada vez mais comparáveis aos bancos, as cooperativas também oferecem investimentos. A mais clássica é o RDC, uma espécie de depósito a prazo remunerado que oferece entre 10% e 12% de remuneração por ano, em média. O presidente da Unicredi, Léo Trombka, diz que a cooperativa só não oferece caderneta de poupança.

Limitações. Quanto mais clientes conquistarem, mais as cooperativas vão conseguir ampliar sua capacidade de emprestar dinheiro, hoje ainda limitada em função do volume de ativos. Os recursos para concessão dos financiamentos hoje vêm basicamente dos depósitos, do volume de capital próprio dos associados e de linhas repassadas por bancos, entre eles o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

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