MARCIO FERNANDES/ESTADÃO
MARCIO FERNANDES/ESTADÃO

Bancos tradicionais reagem à investida das fintechs

Para não perder espaço no mercado, instituições como Bradesco e Itaú também investem em novos canais de atuação

Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2021 | 05h00

Atentos à rápida evolução e ao apelo dos digitais, os chamados “bancões” também decidiram criar seus próprios canais para não perder espaço no mercado. O Bradesco foi mais rápido nessa estratégia e há três anos criou o Next, que hoje conta com 4 milhões de contas – em janeiro de 2020, esse número estava na casa de 1,8 milhão. “Antes, nossos clientes estavam na faixa de 18 a 35 anos. Mas, em 2020, vimos pessoas de 50, 60 anos fazendo adesão ao nosso sistema”, diz o presidente da instituição, Jeferson Honorato. 

Ele conta que o trabalho do Next é de inclusão bancária – e não de canibalização. Cerca de 35% dos clientes têm conta corrente pela primeira vez e 76% não eram da base do Bradesco. “É um complemento. Ao mesmo tempo que o banco tem presença física, o Next é um caminho para aquelas pessoas que querem experimentar um banco digital”, diz Honorato, que também aposta em mimos para conquistar os clientes, como crédito mensal de R$ 20 do Uber.

O concorrente Itaú também entrou no mercado. Em novembro do ano passado, criou o iti e já conta com 3 milhões de contas. “Temos como foco o cliente que precisa de uma relação bancária, seja a população de mais baixa renda ou os desbancarizados”, diz o diretor do iti Itaú, João Araújo. Segundo ele, o mercado ficou muito aquecido com a pandemia e o novo comportamento da população. “Certamente, estamos entre os que mais cresceram no primeiro ano de operação; isso sem nenhuma campanha massiva de publicidade.”

Cadeia de negócios

 O avanço dos bancos digitais também tem criado uma cadeia de negócios importante. É o caso da plataforma de serviços bancários BBNK, criada em 2018. A empresa permite que qualquer companhia ofereça a seus clientes uma conta digital própria, sem precisar de autorização do Banco Central. “A companhia fecha o contrato comigo e eu ofereço tudo: tecnologia e autorização da autoridade monetária. O cliente só coloca a marca dele”, diz o presidente e fundador da BBNK, Yan Tironi.

Até o momento, afirma ele, 40 marcas fecharam contrato com a plataforma. Dessas, três já lançaram suas contas no mercado. As demais ainda aguardam o melhor momento para adotar uma estratégia de lançamento. Segundo Tironi, a pandemia atrasou os planos das companhias para levar adiante a abertura das contas, mas o interesse continua. “Tem muita gente experimentando para lançar da forma mais apropriada.”

Tironi afirma que a BBNK faz todo o plano de negócios para as empresas. A plataforma tem mais de 70 mil contas abertas, sendo 50 mil nos últimos três meses. 

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