ALAOR FILHO | ESTADÃO
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Empresas brasileiras entrarão com recurso contra decisão de Trump imediatamente

Segundo instituição que representa setor de aço, decisão dos Estados Unidos de sobretaxar importação de aço é guerra comercial e governo brasileiro precisa mostrar 'sensibilidade'

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 18h48

O Brasil entrará imediatamente com recurso contra a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de taxar o aço importado pelo país em 25%, com exceção do Canadá e México, que fazem parte do acordo do Nafta. A informação é do presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, que representa as empresas do setor.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Lopes afirma que o governo brasileiro precisará colocar na mesa s necessidade de proteção do mercado interno, visto que o fluxo de aço que deixará de ser direcionado aos Estados Unidos poderá recair sobre o Brasil.

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"Esperamos agora que o Ministério da Fazenda tenha sensibilidade de que há uma guerra comercial de grandes proporções detonada por (Donald) Trump", diz Mello Lopes. Segundo ele, cerca de 20 milhões de toneladas deixarão de ser importadas pelos Estados Unidos no após o aumento da tarifa. Esse volume, ele afirma, irá para outras regiões e, assim, o Brasil precisa se proteger.

O setor do aço defende há muito tempo a adoção de medidas protecionistas pelo governo brasileiro. "Há um grande excesso de capacidade global de aço. O Brasil já é vulnerável para o recebimento de volumes de importação", disse. O excesso de capacidade de aço mundialmente é da ordem de 650 milhões de toneladas.

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O presidente do IABr disse ainda que a expectativa do Brasil era ter se mantido de fora da medida, visto que o País exporta predominantemente aço semi-acabado aos Estados Unidos, ou seja, é uma matéria-prima que é laminada pelas siderúrgicas do país. Das 4,7 milhões de toneladas exportadas ano passado aos Estados Unidos, 3,8 milhões de toneladas foram de aço semi-acabado. No caso do Canadá, cerca de 90% do volume exportado é de material acabado.

"Achamos que iríamos ficar de fora por causa da nossa complementaridade", disse.

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