Instituto aponta desafios para a economia mundial

O enorme déficit comercial dos Estados Unidos, as profundas reformas que a China ainda tem pela frente e as transformações pendentes na Europa são alguns dos desafios da economia mundial, identificados nesta quinta-feira pelos banqueiros que participam da reunião semestral do Instituto Internacional de Finanças (IIF)."A médio prazo, há um risco considerável pelo enorme desequilíbrio do déficit comercial e em conta corrente dos Estados Unidos", afirmou aos banqueiros na assembléia o presidente do Escritório Nacional de Pesquisa Econômica dos EUA (NBER, na sigla em inglês), economista americano Martin Feldstein.Feldstein avaliou que os desajustes são "muito grandes" e em "um nível sem precedentes" e que, embora seu país tenha um déficit orçamentário alto, "é relativamente contido".Os EUA, país considerado o principal motor da economia mundial, fecharam 2005 com um aumento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5%, com o desemprego em 4,8% e a inflação em torno de 2%. Seu déficit em conta corrente registrou, em 2005, um novo recorde anual em comparação com os últimos dez anos ao chegar a US$ 804,9 bilhões (6,4% de seu PIB).Pressões inflacionáriasFeldstein reforçou à platéia do IIF, que reúne representantes de 340 bancos de 60 países, que a situação, somada às últimas pressões inflacionárias, à queda da produtividade, às vendas imobiliárias menores e à pouca capacidade de poupança dos americanos são ameaças que farão a poderosa economia crescer menos em 2006 do que no ano passado.Como medidas de choque para evitar o colapso, o executivo recomendou o aumento da poupança, sempre muito baixo nos EUA, e uma "desvalorização do dólar para que aumentem as exportações e isso se reflita na vida dos americanos".União EuropéiaEm relação à União Européia (UE), os países enfrentarão grandes desafios que influirão na economia global, disse o presidente do Banco Nacional da Polônia, Leszek Balcerowicz. Ele insistiu que os países do bloco "têm que pôr em prática todos os acordos". O banqueiro criticou a última norma sobre serviços da Comissão Européia, que considerou "fraca".No fórum, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, fez uma análise da política fiscal européia e apontou três "obstáculos" que precisam de "futuras reformas" para serem superados.Trichet destacou que vários governos precisam "corrigir seus grandes desequilíbrios fiscais e melhorar a estrutura de suas finanças públicas". O presidente do BCE disse ainda que as instituições fiscais em nível nacional devem apoiar os compromissos fiscais assumidos pelos ministros de Economia e Finanças da UE.ChinaAo analisar as políticas fiscal e macroeconômica da China, que já é a quarta potência econômica mundial, o presidente do First Eastern Investment Group de Hong Kong, Victor Chu, ressaltou que o governo do país deveria estar menos presente nas empresas. Ele insistiu também que o gigante asiático deve reanimar seu decadente mercado de capitais.No horizonte da economia chinesa, os perigos são o déficit comercial dos EUA, os altos preços do petróleo e a possibilidade de que seja declarada uma pandemia de gripe aviária, disse Chu.Ausência da América LatinaA América Latina foi a grande ausência do debate dedicado às perspectivas econômicas das regiões. Na próxima semana, o IIF realizará uma reunião em Belo Horizonte, Mingas Gerais."Já não se fala mais de continentes e os países emergentes se cruzam nele. No caso da América Latina, são economias emergentes as do México, Brasil e Chile, mas não a da Argentina", explicou à EFE o presidente do MBA Banco de Inversiones (investimentos) argentino, Alejandro Fabian Reynal.O banqueiro afirmou ainda que "agora há muitos investidores que voltam todo dia à Argentina, mas o fazem nos mercados de capital de curto prazo. A presença no longo prazo dependerá das mudanças estruturais e institucionais que o país fizer".

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