Christian Braga / Greenpeace
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Instituto desmonta tese de que incêndios se concentram em áreas exploradas da Amazônia

A Embrapa colocou a culpa das queimadas em pequenos produtores rurais já estabelecidos na região

André Borges, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2020 | 13h30

BRASÍLIA - Uma nota técnica divulgada nesta segunda-feira, 3, pelo Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), órgão que estuda a região há 25 anos, mostra que a concentração de focos de incêndio na Amazônia não está concentrada em áreas já desmatadas da região, como tem afirmado o governo federal, reiteradamente.

O relatório, que faz um levantamento detalhado a partir de dados oficiais do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), revela que, em 2019, 30% do fogo registrado na Amazônia foi incêndio florestal, ou seja, de área protegida. Outros 36% estão associados ao manejo agropecuário e os demais 34%, a desmatamentos recentes.

Na semana passada, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), ligada ao Ministério da Agricultura, afirmou que 90% dos focos de incêndio ocorridos na área da Floresta Amazônia em 2019 se deram em áreas já desmatadas e que a ação não estaria derrubando porções da floresta para a abertura de novas áreas de cultivo.

A Embrapa colocou a culpa das queimadas em pequenos produtores rurais já estabelecidos na região, que não contariam com tecnologias mais modernas para o preparo de terrenos que já são utilizados em pastagens e lavouras. Segundo seus analistas, são locais que já desenvolvem atividades agropecuárias “há anos, dezenas de anos e até há séculos”.

No levantamento do Ipam, porém, os pesquisadores Ane Alencar, Lucas Rodrigues e Isabel Castro afirmam que, apesar de as queimadas associadas ao manejo agropecuário serem maioria, está longe de chegar a 90% do total, inclusive em anos anteriores. “Pode-se observar pouca variação proporcional entre 2016 e 2018 (média de 42%), mas a taxa cai em 2019, para 36%, devido ao aumento do fogo em área de desmatamento recente”, afirmam os pesquisadores, ao se referir a novas áreas em fase de abertura para serem exploradas.

De acordo com os autores, entre 2016 e 2019, 64% dos focos de calor foram detectados em áreas recém-desmatadas ou já convertidas para uso agropecuário, sendo que 22% dos focos estavam diretamente relacionados a desmatamento recente e 42% associados a manejo agropecuário.

O mês de julho fechou com uma alta de 28% no total de focos de incêndio na floresta, em comparação com o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados neste sábado, 1, pelo Inpe. É o pior dado desde 2017. Por outro lado, no acumulado do ano, entre janeiro e julho, o total de queimadas neste bioma teve queda de 7,6%.

A floresta amazônica teve 6.803 focos de incêndio, contra 5.318 focos registrados em julho de 2019. O recorde para o mês, de 2017, foi de 7.986 queimadas detectada pelo instituto. O mês anterior já havia sido o pior junho dos últimos 13 anos, de acordo com os números do Inpe.

As queimadas estão proibidas no País desde o dia 16, em um recesso que deveria durar 120 dias. A medida foi estabelecida por um decreto do presidente Jair Bolsonaro. O período mais intenso de queimadas no País começa agora, e deve durar até o início das chuvas de verão. Na ocasião, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou que o decreto era “importante para sinalizar que nós não queremos queimada. Quem fizer queimada está incorrendo em ilegalidade aberta”.

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