Integração de rotas com a Azul será a próxima etapa

Companhia brasileira poderá ganhar mercado com passageiros que chegam da Europa em voos da TAP

Marina Gazzoni, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 22h14

A integração entre as rotas da companhia aérea portuguesa TAP e as da brasileira Azul deve ser o próximo passo do empresário de David Neeleman, que será sócio das duas empresas. Com cerca de 35% de mercado na rota entre Brasil e Europa e com voos para 12 cidades brasileiras, a TAP poderá ser uma forte aliada para encher os aviões da Azul, que atendem cerca de cem municípios no País. 

Procurado nesta quinta-feira, Neeleman não quis dar entrevista. Em comunicado, ele e o sócio português, Humberto Pedrosa, disseram que o “compromisso de investimento e crescimento da TAP” é agora a “prioridade” deles. Em entrevista ao Estado em maio, o dono da Azul justificou o seu interesse na compra da TAP pela possibilidade de integração das rotas das duas companhias. “É interessante porque a TAP tem uma operação forte no Brasil e teria uma boa conectividade com a Azul. Existem muitas coisas que a TAP e a Azul podem fazer juntas”, disse na ocasião.

De acordo com o consultor em aviação Nelson Riet, o maior valor da compra da TAP é justamente a possibilidade de integração com a Azul. Mesmo com a manutenção de empresas separadas, a existência de um dono em comum fará com que as companhias tenham segurança para ajustar a malha e “casar” a integração de uma com outra. 

Nesse sentido, diz Riet, é muito provável que as empresas permitam que o passageiro que sai do interior do Brasil compre uma passagem só para voar até a Europa, fazendo conexões na TAP e na Azul. “As duas empresas terão uma malha ótima, que pode aumentar a ocupação das aeronaves tanto da TAP quanto da Azul. E, para a Azul, acordos com a TAP poderão dar acesso ao mercado europeu.”

Especialistas não esperam uma fusão das companhias, um negócio complicado para atender às regras do setor de aviação nos dois países. Outro ponto contra é que o passivo da TAP poderia “manchar” o balanço da Azul, prejudicando o processo de abertura de capital.

Sindicatos. Apesar das boas oportunidades, Neeleman terá de enfrentar o desafio de lidar com o sindicato de pilotos portugueses, famoso por organizar uma sequência de greves que levaram a TAP ao prejuízo.

Questionado no início da semana se o novo comprador vai “herdar” os problemas da TAP com o sindicato, o presidente da empresa, Fernando Pinto, disse ao Estado que “tradicionalmente, o comportamento do sindicato muda na hora de negociar com empresas privadas”. Para o passageiro brasileiro, a privatização da TAP tende a ser positiva, diz o diretor-geral da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) no Brasil, Carlos Ebner. “A empresa deve voar com aviões mais novos e ter mais fôlego para competir nas rotas para a Europa”, disse. 

A disputa pelo tráfego do Brasil à Europa deve ficar mais acirrada se a TAM levar adiante o seu projeto de construir um hub (centro de distribuição de voos) no Nordeste, com foco nesta rota, lembrou Ebner.

Apesar de dar como certa a integração de rotas entre TAP e Azul, Ebner ressalta que a forma como ela será feita requer mais esclarecimentos. A TAP integra a aliança de empresas aéreas Star Alliance, que vai receber a Avianca Brasil a partir de julho. Além disso, a TAP tem acordo de code-share (compartilhamento de voos) com a Gol, algo que pode ou não ser revisado pelos novos acionistas.

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