AP Photo/Cliff Owen
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Integrantes do BC dos EUA temem elevar os juros cedo demais

Dirigentes do Fed discutiram, em detalhes, o momento adequado de começar a elevar os juros, assim como o ritmo do aperto monetário, mas ainda não chegaram a um acordo definitivo

, Reuters e Agência Estado

18 Fevereiro 2015 | 17h12

Atualizado às 17h50

Integrantes do Federal Reserve (Fed, o Banco Central dos Estados Unidos), reunidos na última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), expressaram preocupação de que uma possível elevação cedo demais dos juros jogue água fria sobre a recuperação econômica norte-americana.

O Fed repetiu em janeiro que seria "paciente" ao decidir quando elevar os juros, atualmente quase zerados. A ata mostra que muitos integrantes do comitê temiam que abandonar a expressão "paciente" - quando chegar a hora - ameaça alterar as expectativas do mercado sobre uma alta de juros a uma "faixa de datas indevidamente estreita".          

A presidente do Fed, Janet Yellen, já declarou que enquanto a promessa de ser paciente estiver incluída no comunicado, a instituição não deverá apertar a política nas duas reuniões seguintes.     

Após a publicação da ata, a probabilidade de elevação dos juros pelo Fed em junho diminui, segundo a Bolsa de Chicago. As taxas futuras dos fed funds mostram que investidores e operadores agora veem 18% de probabilidade de uma elevação na reunião de junho, em comparação com 21% antes da divulgação do documento.

Na reunião, as autoridades debateram o impacto das leituras persistentemente baixas de inflação e também ressaltaram como a desaceleração da China e as tensões no Oriente Médio e na Ucrânia representavam riscos à perspectiva de crescimento econômico dos Estados Unidos, de acordo com a ata da última reunião do Fomc, em janeiro.

Integrantes do comitê sustentaram que uma decisão sobre quando elevar os juros continuará dependendo dos indicadores econômicos, mas o momento exato de agir continuava sendo motivo de preocupação. 

O cenário econômico realmente é um desafio: a inflação está abaixo da meta do Fed, de 2%, e a economia global está mostrando debilidade - acontecimentos que os participantes da reunião discutiram extensivamente. Ao mesmo tempo, o mercado de mão de obra nos EUA está melhorando e os dirigentes do Fed acreditam que a capacidade ociosa na economia está diminuindo.  

"Muitos participantes observaram que um aumento prematuro nos juros poderia golpear a recuperação aparentemente sólida da atividade real e das condições do mercado de trabalho, minando o progresso em direção aos objetivos do comitê", segundo a ata, que foi divulgada nesta quarta-feira. 

Como parte dessas discussões, os técnicos do Fed fizeram uma apresentação no qual detalhavam os prós e contras de adiar o aperto monetário e de apressá-lo. Sem revelar a escala de tempo em detalhes, os dirigentes do Fed disseram que uma demora poderia levar a uma aceleração da inflação ou a riscos à estabilidade financeira, enquanto apressar poderia prejudicar a recuperação econômica. 

Durante a discussão, muitos participantes disseram estar inclinados a esperar, embora alguns tenham notado que o Fed já  esperou bastante "e que poderia ser apropriado começar a firmar a política monetária no curto prazo".  

(Com informações da Dow Jones)               

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