Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

Intenção de compras para o Dia das Mães supera o nível pré-pandemia, diz FGV

Apesar da melhora, o brasileiro pretende gastar menos com o presente neste ano, aponta pesquisa

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

06 de maio de 2022 | 16h42

RIO - O indicador que mede o ímpeto dos brasileiros para gastos com presentes no Dia das Mães subiu 15,6 pontos, ao passar de 55,9 pontos em 2021 para 71,6 pontos em 2022, superando o patamar de 2019 (71,5 pontos), ano anterior à pandemia de covid-19. Os dados são de um quesito especial da Sondagem do Consumidor, da Fundação Getulio Vargas (FGV), obtido com exclusividade pelo Estadão/Broadcast.

"O resultado é influenciado por uma melhora do mercado de trabalho, mas tem também agora alguns efeitos que podem estar ajudando: a liberação do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), e tem a antecipação de 13º de aposentados e pensionistas. Isso pode ter tido algum efeito nesse aumento da intenção de compras para presente de Dia das Mães", diz Viviane Seda Bittencourt, coordenadora da Sondagem do Consumidor no Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

Na passagem de 2021 para 2022, a proporção de consumidores que pretendem gastar mais com o presente subiu de 2,8% para 6,5%, enquanto a fatia dos que pretendem gastar menos encolheu de 46,9% para 35,0%.

No entanto, ainda há mais consumidores planejando gastar menos do que no ano anterior, o que explica o indicador na zona desfavorável, abaixo dos 100 pontos. Em toda a série histórica, iniciada em 2007, o pico do Indicador de intenção de compra de presente no Dia das Mães ocorreu em 2010, quando esteve em 94,8 pontos.

“O indicador mostra que tem mais gente que vai diminuir os gastos em relação ao ano passado do que aumentar. Comparativamente com o ano passado, ele está melhor. Mas é um nível que a gente possa considerar que vá ter aumento das compras no comércio? Não necessariamente, porque a gente volta para o nível de 2019, que é um nível fraco em termos de indicador, em termos de percentual”, diz Bittencourt.

O valor médio do presente ficou em aproximadamente R$ 69,31 em 2022, superior aos R$ 67,60 de 2021, mas ainda inferior aos R$ 77,27 de 2019. O cálculo considera os valores a preços constantes de 2022, ou seja, corrigidos pela inflação.

Os presentes mais populares este ano entre os consumidores que já decidiram o que comprar estão os itens de vestuário, mencionados por 31,7% dos entrevistados. A segunda categoria mais citada foi a chamada "outros", que inclui uma série de serviços, com 26,2% das menções, seguida por perfumaria e cosméticos (19,4%), flores (8,1%), calçado (7,7%), itens para casa (5,0%) e eletrônicos (1,9%).

"A gente tem uma composição da opção ‘outros’ muito voltada para serviços: almoços, cafés da manhã, lanches, passeios. Isso é uma coisa interessante, porque a gente tem visto uma recuperação do setor de serviços, principalmente dos serviços prestados às famílias. Então realmente tem uma motivação de as pessoas consumirem mais serviços, até por conta da liberação, da maior circulação das pessoas agora com a diminuição da pandemia", avaliou Viviane Seda Bittencourt.

No pré-pandemia, em 2019, os itens de vestuário tinham a preferência de 52,3% dos consumidores, enquanto a categoria de "outros" presentes era mencionada por 17,6%, perfumaria e cosméticos, 14,6%, e os eletrônicos, 3,1%.

"É interessante observar isso: uma redução nas compras de vestuário, que sempre foi uma participação expressiva e majoritária, para outros tipos de produtos. Perfumaria ganha uma representatividade, assim como os serviços", afirmou a coordenadora da sondagem do Ibre/FGV.

O quesito referente ao Dia das Mães tem sido levantado pela sondagem desde 2007, com exceção dos anos de 2011 e 2020. A coleta de informações em 2022 ocorreu entre os dias 1 e 21 de abril, para saber do consumidor a intenção de compras de presentes relacionados ao Dia das Mães, que é considerada a segunda data mais importante para o varejo brasileiro.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.