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Intenção de compras para o 1º trimestre é a menor em oito anos

2014 foi um ano ruim para o varejo, com o fluxo de consumidores nas lojas crescendo 3,7%, o pior avanço desde 2003

Márcia De Chiara, O Estado de S. Paulo

07 de janeiro de 2015 | 22h20

Afetado por inflação e juros em alta e confiança do consumidor em baixa, o desempenho do comércio em 2014 foi ruim e essa tendência deve persistir ao menos no começo deste ano, apontam dois estudos divulgados nesta quarta-feira que acompanham o ritmo de atividade do varejo.

O movimento de consumidores nas lojas de todo País em 2014 aumentou 3,7% em relação a 2013, segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio. Foi a menor taxa de expansão dos consumidores nas lojas em 11 anos. Em 2003, o crescimento tinha sido de 3,1%.

No primeiro trimestre deste ano, 49,6% dos paulistanos pretendem ir às compras, revela pesquisa realizada em dezembro com 500 pessoas pelo Programa de Administração do Varejo (Provar) da Fundação Instituto de Administração (FIA)em parceria com a Felisoni Consultores Associados. A intenção de consumo é a menor em 8 anos para um primeiro trimestre e igual à registrada entre janeiro e março de 2014. Desempenho mais fraco que o atual para um primeiro trimestre só tinha sido alcançado em 2007, quando apenas 45,2% dos entrevistados planejavam consumir entre janeiro e março.

“O atual patamar de vendas é baixo e a tendência do consumo é descendente para 2015”, afirmou presidente do Conselho do Provar, Claudio Felisoni de Angelo. Em relação ao último trimestre do ano passado, a intenção de compras atual avançou. Entre outubro e dezembro do ano passado, 40,4% do entrevistados declararam que iriam consumir naquele período.

Essa reação em relação ao último trimestre de 2014 só confirma, na análise de Felisoni, que o Natal foi fraco e que o consumidor adiou as compras para o primeiro trimestre em busca de promoções. Um resultado da pesquisa que indica a menor disposição do consumidor para comprar e gastar neste início de ano é que tanto a intenção de compra como a intenção de gasto é menor hoje, em relação ao primeiro trimestre de 2014, para a maioria das categorias de produtos. Uma das maiores quedas na intenção de gasto neste ano ocorre nos produtos da linha branca (geladeira, fogão e lavadora) e o maior recuo na intenção de compra aparece nos eletroeletrônicos.

Aperto. Um dado que corrobora a menor disponibilidade de recursos para gastar é que caiu de 11,1% no último trimestre do ano passado para 9,2% no primeiro trimestre deste ano, o quanto sobra no bolso do consumidor após pagar todas as despesas obrigatórias, com alimentação, saúde, educação, moradia e transporte, por exemplo.

Felisoni destacou que a pesquisa de intenção de compras para o primeiro trimestre foi feita em dezembro, antes das notícias de demissões na indústria automobilística. Esse episódio, segundo ele, pode deixar o consumidor mais cauteloso ainda para ir às compras. De toda forma, essa maior cautela já apareceu no aumento da fatia de pessoas que pouparam do terceiro (21%) para o quarto trimestre (23,6%) de 2014. “O porcentual de poupadores aumentou e isso reflete a preocupação com a segurança”, disse ele.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apurados até outubro do ano passado mostram que o volume de vendas do comércio varejista ampliado, que inclui veículos e materiais de construção, caiu 1,5%. Segundo projeções do Provar/FIA, o volume de vendas do varejo ampliado deve encerrar 2014 com retração de 2,4% ante 2013. 

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