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Intenção de consumo das famílias atinge nova mínima histórica em março

Apesar da piora nos números, indicador ainda permanece na zona favorável, acima dos 100 pontos; insegurança sobre o mercado de trabalho afetou o resultado

IDIANA TOMAZELLI, O Estado de S. Paulo

19 de março de 2015 | 10h38

RIO - A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu ao menor nível da série histórica pelo segundo mês consecutivo. Em março, o indicador recuou 6,1% em relação a fevereiro, para 110,6 pontos, mais uma vez o patamar mais baixo já registrado desde janeiro de 2010. Em relação a março de 2014, a queda na ICF foi de 11,9%, informou nesta quinta-feira, 19, a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Apesar de o indicador permanecer na zona favorável, acima dos 100 pontos, a entidade atentou para o mau momento disseminado. Ao todo, seis dos sete quesitos avaliados dentro da intenção de consumo atingiram seus mínimos históricos em março: emprego atual, renda atual, compra a prazo, nível de consumo atual, perspectiva de consumo e momento para duráveis.

No caso do nível de consumo atual (-10,8% ante fevereiro) e do momento para duráveis (-7,8% na comparação mensal), além de atingirem o mínimo histórico, os dois migraram para a zona desfavorável, abaixo dos 100 pontos. Quando isso ocorre, a leitura é de que o momento não é bom e pode haver encolhimento dessas atividades.

O único item que não atingiu a mínima histórica neste mês foi a perspectiva profissional. Mesmo assim, o quesito apresentou quedas de 3,7% em relação a fevereiro e de 6,3% ante março do ano passado.

Por faixa de renda, o nível de confiança das famílias com renda abaixo de dez salários mínimos recuou 5,7% em março ante fevereiro. Já entre as famílias com renda acima de dez salários mínimos, a queda foi maior, de 7,8%.

A pesquisa nacional sobre a Intenção de Consumo das Famílias é um indicador antecedente que tem como objetivo antecipar o potencial das vendas do comércio. Ao todo, 18 mil pessoas de todas as unidades federativas são ouvidas pela CNC. 

Insegurança. A insegurança das famílias em relação ao mercado de trabalho é um dos principais entraves ao consumo nos próximos meses, afirmou a economista Juliana Serapio, da CNC. Inflação elevada e a alta de juros também contribuem para a maior cautela dos consumidores. Os bens duráveis são os principais cortes do orçamento: quase metade das famílias acha que é um mau momento para adquirir esse tipo de produto.

"A inflação de transportes acelerou muito em fevereiro, principalmente gasolina e diesel. A alta do dólar também contribui, pois acaba sendo repassada a alguns produtos como o trigo, um produto bastante básico e provoca aumentos nos pães", comentou Juliana.

Mas o fator principal, segundo a especialista, é a desaceleração do mercado de trabalho. Nesta quarta-feira, 18, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) anunciou que 2,4 mil postos formais foram fechados em fevereiro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Foi o terceiro mês seguido de demissões. Já a taxa de desemprego medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas ficou em 5,3% em janeiro, contra 4,8% em igual mês de 2014.

"As famílias estão ficando mais inseguras em relação à renda futura e o emprego", afirmou Juliana. Segundo a economista, a desaceleração do mercado de trabalho gera essa incerteza e explica a cautela das famílias na hora das compras. "Elas tendem a evitar o consumo de itens desnecessários por conta do orçamento mais apertado e dos juros mais altos."

Diante das sinalizações das famílias, o quadro não é nada alentador para o comércio. "O setor, que era um propulsor do crescimento, está bastante baqueado", disse a economista da CNC. Recentemente, a entidade revisou a previsão de aumento no volume de vendas do varejo restrito (sem veículos e material de construção) para 1% este ano. Se confirmado, o resultado será o pior desde 2003 (-3,7%). 

"Até então, com as perspectivas nada animadoras, não vejo reversão desse quadro. Há todo um conjunto de fatores contribuindo (para a baixa intenção de consumo). É difícil um fator isolado proporcionar uma melhora", afirmou Juliana.

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