Intenção de medida é conter alavancagem, diz Tombini

Presidente do Banco Central diz que a autoridade monetária participou da formulação das medidas 

Daniela Amorim, da AGência Estado,

27 de julho de 2011 | 13h02

O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, disse hoje que a autoridade monetária participou das discussões sobre as novas medidas publicadas nesta quarta-feira para conter a valorização cambial. Tombini proferiu uma palestra na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro.

"Essa medida o Banco Central participou de toda a discussão com o Ministério da Fazenda, com o ministro Guido (Mantega, da Fazenda). É uma medida que vem no sentido de conter o potencial de alavancagem contra o dólar, a favor do real, nesse período que nós temos aí um processo de ampla liquidez internacional, de abundância de liquidez e algumas moedas sofrendo a pressão dessa situação internacional, entre elas o real", disse Tombini a jornalistas.

Apesar das novas medidas, a atuação do BC sobre o câmbio não deve ser alterada, segundo o presidente do banco.

"A atuação do Banco Central ela continua, enfim, não há modificação em relação a isso, mas vamos sempre avaliar a situação do mercado para definir as nossas ações", completou.

Investimentos

Tombini, disse que o Brasil continuará atraindo investimentos, apesar das medidas.

"O investimento estrangeiro responde a fatores estruturais, condições de longo prazo que não são afetadas por essa medida. Inclusive, tornam o Brasil ao longo do tempo um paradeiro mais seguro para o investimento produtivo, os investimentos em infraestrutura, os investimentos diretos estrangeiros. O Brasil continua sendo um país receptivo aos investimentos diretos estrangeiros e essa medida vem no sentido inclusive de fortalecer essa marca da economia brasileira", afirmou Tombini.

O presidente do BC diz que o órgão continuará atuando para mitigar possíveis riscos à economia brasileira provenientes da entrada excessiva de capitais.

"O banco central tem agido no sentido de conter os possíveis desdobramentos, possíveis riscos que uma entrada seja de fluxos ou de posições na moeda brasileira pode representar, então tem agido no sentido de conter esses fluxos, atuando sobre as posições vendidas dos bancos, agora essa medida sobre a exposição nocional em derivativos", expôs Tombini.

"Num momento em que as condições internacionais iniciarem uma normalização, tanto no setor monetário quanto financeiro, nós não teremos surpresas no país. Então nós temos atuado e continuaremos a atuar, quando for o caso, para reduzir, mitigar esses riscos potenciais à economia brasileira. A economia brasileira sai mais forte com essa medida".

(Texto atualizado às 16h35)

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