Intenção do banco é concentrar desembolso na BNDESPar

BNDES tenta evitar que parte dos R$ 4,5 bilhões prometidos para o negócio tenha de sair de seu próprio caixa

Alexandre Rodrigues / RIO, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2011 | 00h00

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) espera esgotar nos resultados do seu braço de participações, a BNDESPar, o esforço necessário para um aporte de até R$ 4,5 bilhões na fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour, caso o negócio seja concretizado.

O banco pode recorrer ao seu caixa atual no primeiro momento, mas a intenção seria se desfazer de papéis da carteira da subsidiária para compensar o investimento.

O BNDES não comenta o assunto, alegando sigilo bancário, mas quer que o negócio seja visto como um investimento.

A intenção principal do governo - que deu aval ao presidente da instituição, Luciano Coutinho, para apoiar Abilio Diniz - é evitar a desnacionalização do controle do maior varejista do País. No entanto, o BNDES vê na aprovação do mercado - expressa na valorização das ações do Pão de Açúcar - a confirmação da sua avaliação de que terá um grande lucro para responder às críticas sobre o uso de dinheiro público para viabilizar a fusão.

O BNDES está consciente de que o negócio depende da capacidade de Diniz de convencer seu principal sócio, o Grupo Casino, a aceitar a operação e abrir mão do direito de exercer o controle do Pão de Açúcar no ano que vem, diluindo sua participação. No entanto, uma fonte revela que o banco vê grandes chances na habilidade de Diniz, que teria revelado a intenção de negociar compensações para o Casino, rival do Carrefour na França. Uma delas poderia passar por ativos do Carrefour na Ásia que interessariam ao Casino.

Coutinho levou o caso ao Planalto amparado por avaliações técnicas de que a união entre Pão de Açúcar e Carrefour tem tudo para consolidar uma nova blue chip na bolsa, garantindo ao BNDES a chance de valorizar a carteira com uma fatia de quase 18% da companhia ou vender os papéis no médio prazo com lucro, o que poderia ser revertido para outras ações de internacionalização.

A cifra de R$ 4,5 bilhões em análise no pedido do BTG Pactual ao BNDES é alta, mas outra fonte lembra que só a venda da participação na Brasiliana (controladora da Eletropaulo), que vem sendo adiada pelo governo, renderia entre R$ 5 bilhões e R$ 6 bilhões para a BNDESpar.

Além disso, o banco entraria com um aporte menor na fusão e há a possibilidade de adesão de outros investidores.

Críticas. A participação do BNDES na fusão por meio da compra de ações pela BNDESPar é o principal argumento do banco para afastar as críticas de que usa parte dos recursos subsidiados que tem recebido do Tesouro nos últimos anos (R$ 230 bilhões) para beneficiar grupos empresariais, pois é um financiamento em condições de mercado, sem os mesmos benefícios das linhas tradicionais.

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