Interesse chinês chega ao mercado da beleza

Maior feira do setor começa hoje com crescimento de 81% de estrangeiros, em especial dos asiáticos

Paula Pacheco, O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2010 | 00h00

Nem o mercado de beleza escapou da fase de lua de mel entre empresas estrangeiras e consumidores brasileiros. A Beauty Fair, maior feira de cosméticos do continente americano, começa hoje em São Paulo com uma participação maior de expositores internacionais. O aumento é de 81% em relação a 2009.

O interesse estrangeiro é amparado no fato de o brasileiro ser um grande consumidor de produtos de beleza. O País é o terceiro no ranking mundial, atrás dos Estados Unidos e do Japão. No ano passado, o consumo brasileiro cresceu 14% em reais e 8,5% em dólar, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

E o país que mais se interessou pela feira brasileira neste ano foi a China. De 2009 para 2010, o total de expositores do país asiático aumentou de 4 para 11, ou 175%. O foco dos fabricantes chineses está nos produtos elétricos, como secadores e chapinhas. Apenas uma empresa se difere do grupo com a venda de princípios ativos para cosméticos. Em segundo lugar estão os Estados Unidos, que buscam distribuidores para produtos para cabelos, tratamentos para a pele e maquiagem.

O interesse dos estrangeiros surpreendeu a diretora executiva da feira, Luciane Beltran. "São muitos fatores que influenciam na decisão dos estrangeiros de vir para o Brasil. Por exemplo, o fato de o uso de produtos de beleza começar ainda na infância. As meninas usam cada vez mais cedo esmaltes ou um batonzinho", comenta a diretora.

Pontos de venda. Além do corpo a corpo com os potenciais clientes, os expositores estrangeiros têm contato com os diferentes canais de venda de produtos de beleza encontrados no Brasil, como farmácias, lojas especializadas e perfumarias de luxo. Esse foi o programa da comitiva americana, por exemplo, que ontem visitou três pontos de venda.

"Também mostramos aos estrangeiros algumas peculiaridades do mercado brasileiro, como a atividade informal. Tem muita mulher que faz as unhas das vizinhas ou escova nos cabelos no fim de semana, em casa mesmo, para reforçar a renda da família. Elas também são importantes nos negócios das grandes empresas, porque são consumidoras", analisa Luciane.

Esse público, segundo a diretora da Beauty Fair, é um dos que mais tem chamado a atenção da indústria, já que a melhora nos últimos anos do poder de compra das classes C e D também reverteu em aumento de vendas de xampus e perfumes. É o tipo de compra, segundo Luciane, que não depende de crédito, porque "são produtos que facilmente se encaixam no orçamento familiar".

Para Angel Lizárraga, diretor da Associação Brasileira de Cosmetologia, a indústria tem se aproximado dos consumidores emergentes. "Todos têm acesso a produtos com alta tecnologia. As novas tecnologias dos produtos são globais e estão cada vez mais baratas. O que muda mesmo é o tipo de embalagem, que é padronizada no caso da classe média e mais sofisticada para a classe", explica.

Além de expositores estrangeiros, a Beauty Fair também costuma receber muitos visitantes estrangeiros. Neste ano, prevalecem os compradores do continente africano, especialmente os de Angola e de Moçambique.

A previsão da organização da feira é que em quatro dias sejam fechados R$ 305 milhões em negócios. No ano passado, as vendas ficaram em R$ 242 milhões. "Alguns fabricantes dizem que os negócios na feira equivalem a um mês mais fraco de faturamento, como fevereiro e março", diz a diretora da Beauty Fair.

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