Ari Ferreira/Estadão
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Interesse do investidor pelo Assaí faz GPA disparar quase 15% na Bolsa

Anúncio de que negócio de atacarejo seria separado dos demais atiçou o apetite do mercado pela ação; analistas alertam, porém, que ânimo com o setor de supermercados, que ficará na empresa atual, é bem menor

Talita Nascimento e Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

11 de setembro de 2020 | 05h00

A disparada de quase 15% das ações do Grupo Pão de Açúcar no pregão de ontem da B3, a Bolsa paulista, deixou uma coisa clara: o interesse do investidor pela divisão de atacarejo Assaí – a mais rentável do grupo – é grande. Entre analistas e fontes de mercado, porém, está claro que o entusiasmo com a divisão chamada multivarejo, que reúne supermercados e hipermercados, é bem menor.

A reação veio na esteira de uma mudança anunciada na noite de quarta-feira: o GPA deverá separar o atacarejo do restante da companhia. “Agora, os investidores veem a oportunidade de comprar GPA descontado para ganhar Assaí descontado lá na frente”, diz o analista do Brasil Plural, Antonio Castrucci.

Desta forma, os investidores inflaram a valorização do GPA para 14,8% no fim do dia. O papel da companhia fechou cotado a R$ 71,35. “Com a saída do Assaí, o GPA deve valer em torno de R$ 7 bilhões e R$ 8 bilhões. É um marketcap (valor de mercado) pequeno e de crescimento baixo. Hoje, o grande atrativo do papel é o Assaí”, diz. 

Os analistas Guilherme Assis e Felipe Reboredo, do Safra, dizem, em relatório, que a nova empresa, a ser listada na B3 e na Bolsa de Nova York (Nyse) poderia ter valor de mercado de R$ 16,6 bilhões, praticamente o mesmo registrado ontem pela varejista ainda “agregada”.

O mercado financeiro diz estar em dúvida sobre o destino da bandeira Extra. A questão é se o controlador Casino vai colocar a bandeira premium Pão de Açúcar e as operações do Éxito à venda, fechando ou eliminando as mais problemáticas – ou seja, o Extra.

Essa tese ganha força com o fato de que a holding do Grupo Casino – controlador do GPA – está em uma espécie de recuperação judicial na França. Assim, a agenda de venda de ativos ganha força, uma vez que o conglomerado precisa de recursos.

De qualquer forma, a separação de negócios parece ter sido bem recebida. “Reconhecemos o potencial valor a ser destravado pela separação dos negócios”, escreveu o analista Pedro Fagundes, da XP, em relatório. A decisão também foi um bom sinal, na opinião dos analistas do Bank of America. Para eles, o GPA vinha apresentando uma deterioração da rentabilidade, e a compra do Éxito destinava recursos para áreas de pouca atratividade. 

Defesa

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Varejo, Eduardo Terra, o Assaí cumpriu a missão de auxiliar a reestruturar o multivarejo. “Por um período, os números do Assaí permitiram a reestruturação. Hoje não existem sinergias. Há a ideia de que o multivarejo conseguiria andar sozinho”, disse. 

De acordo com André Pimentel, sócio da consultoria Performa Partners, a decisão é estratégica para destravar os valores do Assaí. Ele rechaçou a hipótese de que o Casino poderia vender a bandeira Extra. “A holding opera mais alavancada. Pode estar mais estressada, mas está longe de viver em um mau momento”, afirmou.

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