Interesse no álcool brasileiro leva à reativação de usina no RJ

O interesse mundial no álcool brasileiro motivou a retomada de atividades na usina de cana-de-açúcar mais antiga da América Latina, a Quissamã, com 125 anos, instalada no município de mesmo nome do norte fluminense e inativa há quatro safras. A usina foi comprada no início do ano pelo Grupo José Pessoa, de Pernambuco.Além da Quissamã, o grupo já comprou a usina Santa Cruz, também na região de Campos, numa estratégia de investir na produção de açúcar e álcool no Estado do Rio, aproveitando-se de pelo menos três vantagens competitivas: proximidade dos portos do Rio de Janeiro e de Vitória (ES), insuficiência de oferta no Estado e preço por hectare menor que em São Paulo."O mundo todo está de olho no álcool brasileiro. Existem encomendas da Tailândia, Japão e Índia que superam a produção existente hoje no País. Só isso já deixaria o negócio lucrativo em qualquer parte do território nacional", disse o diretor comercial do grupo, Fernando Perri.Os investimentos do grupo - sem contar gastos com a compra das usinas, não revelados - giram em torno de R$ 100 milhões, sendo R$ 70 milhões para capacitar a usina Quissamã. O restante foi destinado para a usina Santa Cruz e para incentivar o aumento da produção de cana. Já este ano, a moagem deverá atingir 1,2 milhão de toneladas, quase a metade do total de 3 milhões moídas no Estado ano passado.A região de Campos, onde se concentram as 13 usinas do Estado (só 7 em atividade) está na pauta de investimentos de grupos do setor sucroalcooleiro, que há dois anos é responsável pelo maior número de fusões e aquisições no País.Analistas já dão como certa a transação entre o Grupo Othon - proprietário de três usinas na região - e um grupo paulista. Nenhum dos lados confirma o investimento, mas, em paralelo a estas grandes negociações, pequenos produtores estão se organizando para aumentar a oferta de matéria-prima. A previsão é de que, já na safra deste ano, a produção atinja cinco milhões de toneladas de cana, dois milhões acima da anterior. A produção de álcool, de 65 milhões de litros em 2002, deve aumentar em 50% e a de açúcar, de dois milhões de sacas, em 30%.

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