Interesses agrícolas brasileiros em discussão na OMC

O acordo que está sendo costurado pelos Estados Unidos e União Européia (UE) na Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a liberalização agrícola não deverá atender plenamente os interesses do governo brasileiro em obter um amplo acesso para seus produtos no mercado internacional. Washington e Bruxelas deveriam ter apresentado, ontem, um acordo comum sobre o setor para possibilitar um avanço nas negociações em Genebra. Mas decepcionaram os demais144 membros da OMC ao informar que a comunidade internacional terá que esperar mais alguns dias antes de conhecer os termos do tratado. As negociações agrícolas na OMC estão bloqueadas e, a menos de um mês da reunião ministerial da organização em Cancun, a esperança de muitos era de que um entendimento entre Washington e Bruxelas fosse anunciado ontem para salvar a negociação. Há duas semanas, os dois governos haviam acertado, durante um encontro em Montreal, que iriam trabalhar em um texto conjunto que pudesse superar as diferenças entre suas posições. "Ainda estamos trabalhando no texto", garantiu um embaixador da UE em Genebra, Carlo Trojan, que lembra que a UE e os Estados Unidos representam 50% do comércio agrícola mundial. Cansada de esperar por um entendimento entre Estados Unidos e UE, a OMC estabeleceu até quarta-feira para que um texto comum entre Washington e Bruxelas seja apresentado. "Nenhum dos outros temas na OMC, como serviços, bens industriais e investimentos avançarão agora se não houver um acordo agrícola", afirmou um diplomata latino-americano. Pontos decisivosMas nos corredores da OMC, as informações indicam que esse futuro acordo que será responsável por dar novo impulso às negociações também resultará em um compromisso distante da ambição inicial de liberalização que esperavam os países exportadores de produtos agrícolas, como Brasil e Austrália. Rumores em Genebra indicam que a fórmula de abertura que será apresentada pelas superpotências irá gerar apenas um aumento marginal no comércio agrícola mundial. O texto incluirá pelo menos três pontos: acesso a mercados, subsídios domésticos e apoio às exportações. Segundo informações de diplomatas europeus, o documento deverá mencionar a ampliação de quotas para exportações, mas as mudanças nas tarifas cobradas pelos países protecionistas serão mais tímidas. O documento ainda pretende trazer uma fórmula híbrida entre o que pretendem os países protecionistas no que se refere à eliminação dos subsídios e o que desejamos países exportadores de produtos agrícolas. Na atual versão do acordo que está sobre a mesa de negociações, fala-se em uma eliminação dos subsídios em dez anos, prazo considerado como curto demais para os governos protecionistas. Ontem, o Brasil e os demais países em desenvolvimento da OMC sentiram como um acordo entre a UE e os Estados Unidos pode ser prejudicial para seus interesses. Os dois parceiros apresentaram uma proposta de liberalização para bens manufaturados e sugeriram que haja um corte generalizado das tarifas pelo mundo, com pouca margem de manobra para os países em desenvolvimento.

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