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Com o crescimento das economias do Norte e Nordeste, grupos regionais ganham relevância no meio empresarial. À caça desses bons negócios, fundos já gastam até 30% do orçamento em viagens

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2010 | 00h00

Os fundos de private equity que compram participação em empresas emergentes reservam de 20% a 30% do orçamento para viajar o Brasil. Encontrar boas oportunidades significa sair dos grandes centros e desembarcar em cidades do interior ou em capitais pouco atraentes. "É gastar sola de sapato mesmo", diz Patrick Ledoux, sócio do fundo inglês Actis na América Latina. Gestores como ele nunca viajaram tanto. É nas cidades médias brasileiras que estão os negócios com maior potencial de crescimento para os próximos anos.

Em geral, são empresas familiares, na segunda geração, de capital fechado e com atuação em setores que estão em alta no Brasil, ligados a infraestrutura e a bens de consumo, por exemplo. Empresas de porte médio que fazem parte dessas cadeias estão sendo praticamente caçadas País afora por investidores. As regiões Norte e Nordeste, onde a renda da população e o consumo cresceram acima da média nos últimos anos, estão aos poucos capturando os recursos de fundos que antes só tinham olhos para o mercado paulista.

Além da localização geográfica, as "emergentes" têm outras características comuns, segundo Ronaldo Fragoso, sócio líder da consultoria Delloite: "Todas demonstram uma grande preocupação com profissionalização, treinamento e crescimento", diz ele.

Para mudar de patamar, no entanto, os empreendedores esbarram na falta de recursos e precisam recorrer a fontes alternativas de financiamento, por meio de aportes de fundos de private equity e até da abertura de capital. "Esse processo está em curso e nos próximos anos veremos uma série de empresas médias estourarem no País", afirma Paulo Dortas, da consultoria internacional Ernst&Young Terco, que levou no início do mês um grupo de 30 empresários a Nova York para aproximá-los de investidores internacionais. O encontro foi promovido em parceria com a BM&FBovespa e só contou com empresários que estão fora dos grandes centros.

Potencial. O potencial dessas empresas foi medido em pesquisa recente, feita pelas duas instituições, com 106 companhias brasileiras de porte médio, com faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 500 milhões. Quase metade delas espera crescer entre 10% e 25% ao ano nos próximos cinco anos. "O que muda na cabeça desses empreendedores agora é que eles sempre conduziram seus negócios pela escassez e agora o modelo de gestão é com base na oportunidade", diz o professor Luis Augusto Lobão Mendes, professor de estratégia e desenvolvimento organizacional da Fundação Dom Cabral.

Em cidades diferentes, uma rede de supermercados e outra de móveis e eletrodomésticos são um retrato fiel das empresas emergentes brasileiras. O Grupo Carvalho, com sede em Teresina, no Piauí, e a Eletrosom, de Uberlândia, em Minas Gerais, começaram do zero três décadas atrás. Ambas firmaram seus negócios em áreas que até pouco tempo estavam fora do radar dos concorrentes e conseguiram crescer mesmo em épocas de crise e inflação alta. Atualmente, uma é líder de vendas no Piauí e a outra em cidades com menos de 60 mil habitantes, nos Estados de Goiás, Minas, Mato Grosso e Bahia.

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