Interior lidera investimentos em SP Investimento total no Estado cai 6% em relação a 2010

Cidades como Campinas, Sorocaba e São José dos Campos receberam 64% dos investimentos anunciados para o Estado no ano passado

MÁRCIA DE CHIARA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h09

As cidades do interior paulista absorveram no ano passado a maior fatia dos investimentos anunciados para o Estado de São Paulo comparativamente à Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). Também a maior parte da cifra anunciada para o interior se concentrou em empreendimentos em quatro grandes regiões: Campinas, Sorocaba, São José dos Campos e Baixada Santista.

Os dados são da Pesquisa de Investimentos Anunciados (Piesp) realizada pela Fundação Sistema Estadual Análise de Dados (Seade) da Secretaria e Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo.

No ano passado, os investimentos para o Estado de São Paulo somaram R$ 83,175 bilhões. Dessa cifra, cerca de metade (51%) pôde ser identificada pela pesquisa em qual município o investimento será realizado.

Dos investimentos identificados com os respectivos municípios, a menor parte (35,9% ou R$ 15,297 bilhões) está na RMSP, que abrange a capital e 38 municípios. A maior fatia (64,1% ou R$ 27,246 bilhões) é investimento anunciado para as cidades do interior. As regiões de Campinas, São José dos Campos, Baixada Santista e Sorocaba absorveram R$ 23,590 bilhões ou 87% do investimento anunciado para o interior do Estado.

"Essa é a desconcentração concentrada", afirma o diretor de Análise e Disseminação de Informação da Fundação Seade, Haroldo da Gama Torres. Ele explica que, desde os anos 1980, há uma discussão intensa sobre a desconcentração produtiva da RMSP em direção ao interior. Nas décadas seguintes, esse debate evoluiu no sentido de mostrar que ocorre uma desconcentração concentrada.

Isto é, a ideia, diz Torres, é que empresas se deslocam para fora da RMSP, mas num raio de 100 a 150 quilômetros da metrópole. Esse raio é formado basicamente pelas regiões de influência das cidades de Campinas, São José dos Campos, Sorocaba e Santos.

O deslocamento do investimento da RMSP para o interior fica mais nítido quando se avaliam os recursos destinados à indústria, observa Vagner Bessa, gerente da área de Indicadores Econômicos da Fundação Seade e responsável pela pesquisa.

Em 2010, 67% do investimento identificado com o município e anunciado para a indústria no Estado foi para as cidades do interior e 33% para a RMSP. No ano passado, o interior avançou ainda mais e ficou com 71,5% do investimento da indústria, enquanto a RMSP deteve 28,5%.

Bessa destaca que os grandes investimentos na RMSP estão concentrados em infraestrutura e no setor imobiliário. "Já a maior parte do investimento produtivo (indústria) vai para o interior, em municípios localizados no entorno de RMSP", diz. O levantamento tem como base de dados os investimentos anunciados na imprensa, por empresas públicas e privadas, que são checados pelos técnicos da Seade.

Emprego. A maior concentração dos anúncios dos investimentos nas cidades do interior paulista é confirmada pela evolução do emprego formal na indústria. Entre 2005 e 2010, o emprego na indústria no Estado de São Paulo cresceu 4,8%; na RMSP, o acréscimo foi de 3,7% e nas cidades do interior do Estado de São Paulo, de 5,7%.

Torres destaca que a interiorização do investimento, especialmente da indústria, não significa um movimento em massa de fechamento de fábricas na RMSP e abertura nas cidades do interior. "Em alguns casos, isso é verdade. Mas, na maior parte das vezes, é que o novo investimento acontece fora RMSP", diz.

Ele pondera que a força da indústria na cidade de São Paulo ainda é muito grande. De acordo com o último dado disponível, o município respondeu por 8,9% de todo valor agregado na atividade industrial do País em 2009. "É um legado", ressalta.

A migração das novas fábricas para as cidades num raio de 150 quilômetros da RMSP se explica, principalmente, por dois conjuntos de fatores, diz Torres. O primeiro é o aumento do custo de produção, envolvendo desde mão de obra e preço dos terrenos, entre outros fatores de produção. O segundo são as boas condições da infraestrutura.

"Nos últimos 20 anos, foram feitos grandes investimentos em estradas, energia elétrica e telefonia, que tornaram mais fácil uma fábrica no interior. No passado, era muito mais difícil produzir nas cidades do interior, porque a circulação de mercadorias era complicada e obter um profissional adequado, também."

Para Bessa, a malha rodoviária é fator preponderante para o empresário optar por novos empreendimentos fora da RMSP . "Essas empresas não podem ficar longe da RMSP, porque o elo com a região é muito forte."

O total de investimentos anunciados para o Estado de São Paulo somou no ano passado R$ 83,175 bilhões, cifra 6% menor que o recorde batido no ano anterior, que foi R$ 88,422 bilhões, aponta a Pesquisa de Investimentos Anunciados (Piesp) feita pela Fundação Sistema Estadual Análise de Dados (Seade) da Secretaria e Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo.

Realizada desde 1998, a pesquisa tem como base os investimentos anunciados pela imprensa, que são conferidos por técnicos da Seade. Só não há uma certificação se essas intenções de investimentos viram, de fato, novos projetos. Em 2010 a pesquisa foi reformulada e, portanto, não é possível ter uma série mais longa para comparação.

Apesar da queda nos valores anunciados no último ano, houve um acréscimo no números de investimentos, de 678, em 2010, para 939, em 2011. Os prazos de maturação diminuíram. / M.C.

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