Steve Marcus/REUTERS
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Internet chega a 4 em cada 5 lares, mas Brasil ainda tem 45,9 milhões de excluídos digitais

Dados são da Pnad Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação de 2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nesta quarta

Daniela Amorim, O Estado de S.Paulo

29 de abril de 2020 | 16h46

RIO - Quatro em cada cinco lares brasileiros já têm acesso à internet. No entanto, o País ainda tem um contingente importante de excluídos digitais: 45,96 milhões de pessoas, cerca de 25% de toda a população com 10 anos ou mais de idade, não utiliza a rede no período de referência do levantamento Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua - TIC) de 2018, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, 29. 

Entre os motivos para a falta de acesso à internet, 41,6% disseram que não sabiam usar a rede, 34,6% declararam falta de interesse, 17,5% declararam que o serviço ou o equipamento eletrônico necessário eram caros, e 4,5% disseram que não havia serviço de internet disponível nos locais que frequentava. 

A indisponibilidade do serviço de internet era um empecilho especialmente em áreas rurais, onde foi mencionada por 12% dos excluídos digitais como justificativa para não acessar a rede. No Norte, 13,8% das pessoas que não acessaram a internet apontaram a falta de serviço em sua região, enquanto no Sudeste apenas 1,9% mencionaram essa justificativa. 

A internet passou de um alcance de 74,9% dos domicílios do País em 2017 para 79,1%, em 2018. A renda ainda é um componente importante para a conexão digital. O rendimento real médio per capita dos domicílios com acesso a internet foi de R$ 1.769, quase o dobro do rendimento dos que não utilizavam esta rede, que foi de R$ 940. 

Acesso ampliado

O acesso à internet também avançou entre os habitantes na passagem de 2017 para 2018, passando de 69,8% da população brasileira com 10 anos ou mais de idade para 74,7%, o equivalente a 181,9 milhões de pessoas conectadas. A conexão ainda é mais predominante nas áreas urbanas, onde o porcentual de utilização subiu de 74,8% em 2017 para 79,4% em 2018, enquanto na área rural cresceu de 39,0% para 46,5%, alcançando ainda menos da metade da população local. 

As mulheres são ligeiramente mais conectadas que os homens: 75,7% delas acessam a internet, ante 73,6% dos homens. Os jovens adultos têm mais acesso à rede, alcançando até 91,0% na faixa etária de 20 a 24 anos, mas houve avanço no acesso em todas as idades, inclusive entre as mais avançadas. O grupo etário com aumento mais expressivo de conexão foi o de 55 a 59 anos, passando de 55,3% de alcance em 2017 para 64,2% em 2018. Entre os com 60 anos ou mais, havia 38,7% de conectados, ante uma fatia de 31,2% em 2017. 

O aparelho de telefone celular é o meio mais popular de acesso à rede, usado por 98,1% dos brasileiros que se conectam. O uso da televisão para acesso à rede teve um crescimento expressivo, mencionado por 23,1% dos que se conectaram em 2018, ante uma fatia de 16,3% em 2017. O uso do microcomputador teve movimento oposto, recuando de 56,6% em 2017 para 50,7% em 2018, assim como o total de pessoas que usaram tablet, descendo de 14,3% para 12,0% no período. 

Em 2018, 88,1% das pessoas usavam a rede para chamadas de voz ou vídeo, enquanto 86,1% acessavam para assistir vídeos. 

O porcentual de pessoas com telefone móvel para uso pessoal na população de 10 anos ou mais de idade subiu de 78,2% em 2017 para 79,3% em 2018. No entanto, ainda não havia telefone celular nem fixo em 5,1% dos domicílios particulares permanentes do País em 2018. 

O uso de telefone fixo convencional diminuiu, passando de 31,6% dos lares em 2017 para 28,4% deles em 2018. A parcela dos domicílios com telefone móvel celular permaneceu inalterada de 2017 para 2018, em 93,2%. 

TVs de tubo em um terço dos lares brasileiros

Quase um terço dos lares brasileiros ainda usava televisão de tubo em 2018, segundo a Pnad Contínua - TIC. 

Em 2018, 96,4% dos domicílios brasileiros tinham televisão. Houve aumento acentuado na proporção de domicílios com TV de tela fina, de 69,8% em 2017 para 74,3% em 2018, enquanto a fatia de lares com TV de tubo reduziu de 38,8% para 31,9%. 

O rendimento real médio per capita dos domicílios com televisão de tela fina era de R$ 1.875, enquanto aqueles que tinham televisão de tubo tinham renda média de R$ 1.008. 

Em meio ao esforço de migrar para a televisão digital, o País ainda tinha 2,142 milhões de domicílios exclusivamente dependentes do sinal analógico em 2018, ou seja, que não contavam com conversor, não recebiam sinal de televisão por antena parabólica, nem tinham serviço de televisão por assinatura. 

Houve melhora na passagem de 2017 para 2018, a proporção de domicílios sem qualquer meio de acesso à televisão que não fosse o sinal analógico diminuiu de 6,2% para 3,1% dos lares. 

O porcentual de domicílios com TV por assinatura diminuiu de 32,9% em 2017 para 31,8% em 2018. Na área urbana, houve queda de 35,6% para 34,3%, mas foi registrado aumento na rural, de 14,1% para 14,9%. 

O levantamento registrou um aumento na proporção de domicílios que não tinham TV por assinatura porque o serviço foi substituído pela programação transmitida pela internet: passando de 2,4% dos domicílios com TV em 2017 para 3,5% em 2018.

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