Internet cresce mais na baixa renda

Segundo Pnad 2011, o número de internautas aumentou em ritmo mais forte na população com rendimento de até um salário mínimo

Luciana Nunes Leal, do Estadão, O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2013 | 02h03

RIO DE JANEIRO - Com renda maior, emprego formal e acesso fácil ao crédito, os brasileiros mais pobres ganham espaço no mundo digital. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 2011, divulgados pelo IBGE, mostram que, em seis anos, o número de internautas cresceu mais na população com renda domiciliar per capita de até um salário mínimo e nos Estados do Norte e Nordeste. Houve uma explosão de novos internautas também entre os alunos da rede pública. Enquanto na população com mais de 10 anos de idade o aumento do número de internautas foi de 143,8%, com 45,8 milhões de novos usuários, entre os mais pobres, o crescimento foi de 188% - 19,2 milhões de pessoas incluídas no mundo virtual. Em 2011, o País chegou a 77,7 milhões de internautas, ou 46,5% dos brasileiros com 10 anos de idade ou mais. Em seis anos, o Brasil ganhou 21 mil novos usuários de internet por dia.

"Em 2005, o País estava saindo de uma recessão. Nos anos seguintes, com o aumento dos trabalhadores com carteira assinada, do poder de compra, do crédito e da escolaridade, o acesso aos computadores e à internet também se expandiu. Os dados mostram que houve avanços, mas ainda há lacunas a resolver", diz o coordenador de trabalho e rendimento do IBGE, Cimar Azeredo.

Entre 2005 e 2011, mais que dobrou a proporção de brasileiros que vivem em domicílios com computador conectado à internet, de 14,6% para 39,4%. Os usuários de baixa renda passaram de 10,2 milhões em 2005 para 29,4 milhões em 2011.

Renda. A desigualdade, porém, ainda é grande: apenas um terço das pessoas com até um salário mínimo de renda domiciliar per capita (33,6%) tem acesso à internet, enquanto, entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, a proporção é de 67,9%. Os brasileiros com renda domiciliar per capita de até um salário mínimo são 52,5% da população com mais de 10 anos. porém, entre os internautas, representam 38%.

No Norte e no Nordeste, apesar do aumento no número de pessoas com acesso à internet, elas são pouco mais de um terço da população. No Sudeste, são 54,2%. "O fato de ter dobrado a proporção de pessoas que acessam a internet no País é um avanço. Porém, menos da metade da população conectada é pouco para a importância que a internet tem", diz Rodrigo Baggio, fundador do Comitê para a Democratização da Informática (CDI), que há 18 anos atua na expansão da tecnologia de informação. O ideal, segundo ele, é que só não use a internet quem não quiser. Outro ponto levantado por Baggio é a finalidade com a qual as pessoas acessam a web. "O que faz a diferença é o uso não só para entretenimento, mas para fomentar empregabilidade, empreendedorismo e educação."

Apesar de serem mais resistentes à rede mundial de computadores, as pessoas com mais de 50 anos tiveram peso decisivo no aumento de internautas: passaram de 2,5 milhões de usuários para 8,1 milhões - crescimento de 222%. Também foi significativo o aumento de usuários no outro extremo, na faixa 10 a 14 anos de idade. Em 2005, 24,3% das crianças acessavam a internet, proporção que saltou para 63,6% em 2011.

Embora a renda seja um fator importante de acesso à internet, é interessante notar que a faixa mais alta não é a que tem maior proporção de internautas. Entre os que têm renda de mais de 5 salários mínimos mensais, 68% acessam a internet. Na faixa de 3 a 5 salários mínimos, são 76%. A explicação é que a faixa mais rica da população é também a faixa mais velha, ainda "engatinhando" no mundo virtual.

Os técnicos do IBGE chamam a atenção para o grande salto entre os alunos da rede pública incluídos no universo digital. Como a pesquisa não investigou o local de acesso, não é possível associar o crescimento à distribuição de computadores nas escolas públicas. Mas esse salto, somado à queda do preço dos computadores, é outro indicador de inclusão digital entre os mais pobres. Em 2005, apenas 24% dos alunos da rede pública usavam a web, proporção que cresceu para 65,8% em 2011.

Projeção. Apesar do grande salto no uso da internet pelas classes de menor renda, o ritmo desse aumento se estagnou nos últimos três anos. Desde 2009, o porcentual da população com renda de 3 a 5 salários mínimos com internet é cerca de quatro vezes maior do que o das pessoas com menor renda. Se esse ritmo de expansão for mantido pelos próximos anos, segundo projeção feita pelo Estadão Dados, isso significa que só em 2033 o acesso à internet será universalizado no Brasil.

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