Internet é pouco usada na relação com investidor

A Internet está longe de ser o principal canal no relacionamento entre companhias abertas e investidores. Apesar de ganharem cada vez mais força na comunicação com o mercado, os serviços digitais oferecidos pelas empresas aos acionistas ainda são pouco usados no Brasil, segundo conclusão de um estudo da consultoria global Neoris, com sede em Miami (EUA). "A Internet como ferramenta de relações com investidores tem grande potencial de crescimento", afirmou o gerente de marketing da Neoris, Fabricio Miranda. O uso da rede para divulgar informações ao mercado reduz o custo das empresas, ao evitar a impressão de materiais não obrigatórios por lei. Além disso, amplia o fornecimento de dados para os acionistas. A consultoria analisou o estágio de desenvolvimento da política de relações com investidores de 119 companhias abertas, com capital superior a R$ 300 milhões. A pesquisa conclui que pouco mais da metade das empresas, ou 52,9%, oferecem algum tipo de serviço para os acionistas nos sites. E somente 34% da amostra possui área específica de relações com investidores na Web. Os serviços mais oferecidos pela Internet são as demonstrações financeiras (68,3%), relatórios anuais (65,1%), relatórios semestrais (55,6%), estrutura acionária (42,9%) e contato (39,7%). "Os dois primeiros são dados exigidos pela lei. Quando saem da obrigatoriedade, os serviços caem muito." Segundo Miranda, informações com menor incidência estão mais relacionadas com a transparência, como apresentação da empresa (17,5%) e política de governança corporativa (15,9%). As demais são o parecer dos auditores (15,9%), gráfico das ações (14,3%) e explicação sobre os papéis que negociam na Bolsa de Nova York (12,7%). Para Miranda, o foco das companhias nos grandes investidores acaba limitando o uso da Internet. "As empresas deixam a pessoa física de lado, o que é um erro", disse. A pesquisa montou ainda um panorama setorial. O segmento de recursos naturais (petróleo, gás, energia, mineração, celulose e siderurgia) foi o destaque positivo. De todas as 22 empresas, 59% têm área específica de relações com investidores. O pior desempenho ficou com manufatura (automotivo, vestuário, alimentos e consumo): 42% das 33 companhias não têm nenhum serviço desse tipo na rede. Entre as 45 empresas de telecomunicações, 14 têm uma área específica para acionistas. Quase metade das 18 instituições financeiras pesquisadas não presta esse serviço pela Internet, concluiu a Neoris.

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