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Renato Cruz
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Internet via satélite

A oferta de acesso à internet ainda é precária no País. Em 2014, 54% dos domicílios brasileiros tinham conexão, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br). Dezoito por cento dos sem conexão apontaram como motivo a indisponibilidade do serviço para o seu endereço. Esse porcentual sobe para 29% em áreas rurais e para 44% na Região Norte.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2016 | 03h00

Além disso, em alguns lugares, apesar de haver acesso, a conexão é de baixa qualidade. Tem gente que mora na Região Metropolitana de São Paulo e não consegue assistir a vídeos por streaming, em serviços como YouTube e Netflix. Em outubro do ano passado, havia 25,5 milhões de acessos no País, segundo a Agência Nacional das Telecomunicações. Desse total, 34% tinham velocidade menor que 2 megabits por segundo (Mbps), o que já dificulta ver vídeos em tempo real.

A atual política para o setor, chamada Banda Larga para Todos, prevê levar, em quatro anos, fibra óptica a 90% dos municípios brasileiros, oferecendo conexões de 25 megabits por segundo (Mbps). Muita gente considera essa meta irrealista, principalmente diante da atual situação econômica do País.

Enquanto isso, a banda larga vai sendo universalizada com outras tecnologias, como a telefonia celular. O satélite, que já foi considerado caro demais, começa a se tornar uma solução competitiva, com a vantagem de não exigir instalação de infraestrutura.

Atualmente, existem somente 67 mil acessos de banda larga via satélite no Brasil. Rafael Guimarães, presidente da Hughes do Brasil, enxerga um mercado potencial de 7 milhões de residências. “Não estamos falando somente de pessoas que não têm atendimento, mas também daqueles que contam com serviços de má qualidade”, disse o executivo.

A Hughes planeja lançar em julho seu serviço de internet via satélite no Brasil. Numa primeira fase, estará disponível para 80% do território nacional, com conexões de, no mínimo, 10 Mbps. O plano prevê a expansão para 90% do território em 2018 e 100% em 2020. A terceira fase deverá usar a OneWeb, constelação de 700 satélites com lançamento previsto para 2018.

Assim como acontece com os serviços via celular, haverá uma franquia de dados. O plano mais simples deve ter limite de 20 gigabytes no horário normal (durante o dia e no começo da noite) e de 40 gigabytes no horário de menor tráfego, para incentivar que os consumidores deixem atividades como download de arquivos para horários alternativos.

A crise acabou encarecendo o serviço. A mensalidade do plano mais simples deve ficar próxima de R$ 200. É a primeira operação de internet via satélite da Hughes fora dos EUA, onde a empresa tem cerca de 1,5 milhão de assinantes.

Realidade virtual

Se depender da indústria, este deve ser o ano da volta da realidade virtual. A tecnologia foi muito falada em meados da década de 90, mas as previsões nunca se concretizaram. Mark Zuckerberg anunciou no Facebook que o Oculus Rift será lançado em março, por US$ 600. O Samsung Gear VR já está disponível por aqui, custa R$ 800 e precisa de um celular top de linha da fabricante para funcionar. A HTC prepara o lançamento do Vive e a Sony do PlayStation VR.

Consulta

Termina na sexta-feira a consulta pública do Ministério das Comunicações sobre o novo modelo de prestação de serviços de telecomunicações, disponível no site Participa.br. Os temas em debate são: objeto da política pública, política de universalização, regime público versus regime privado, concessão e outros temas.

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