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Interpol investiga mensagem do Citi sobre dívida grega

E-mail recomendando a venda de ações de estatais gregas foi disparado por operador do banco americano e agravou crise

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / GENEBRA

A reestruturação da dívida grega virou caso de polícia. Um ano depois de ser resgatada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pela União Europeia, a dívida da Grécia é mais uma vez alvo de debates.

A polêmica ganhou força nos últimos dias, quando Paul Moss, um operador do Citigroup, enviou e-mail a investidores alertando que a reestruturação da dívida grega era iminente, o que acabou provocando grande venda de ações de empresas locais.

O governo grego e a própria União Europeia insistiram que não há planos de reestruturação da dívida e que o buraco equivalente a 160% do Produto Interno Bruto (PIB) é "totalmente sustentável", segundo declarações do governo.

Há um ano, a Grécia recebeu um pacote de 110 bilhões para pagar as dívidas. Em troca, prometeu amplo programa de cortes de gastos e privatizações.

Ontem, investigadores da Interpol interrogaram o operador do Citigroup sobre o envio do e-mail. O banco insiste que não cometeu nenhum crime ao enviar o comunicado. "Estamos cooperando com as autoridades e não consideramos que tenhamos feito algo de errado", informou o banco em um comunicado oficial.

Veludo. Na Grécia, dois dos principais jornais revelaram ontem que, apesar de negar a reestruturação, o governo já começou uma negociação nesse sentido. Para o Ta Nea, jornal de maior circulação, o que se está preparando seria uma "reestruturação de veludo". Isso incluiria a ampliação das datas de pagamentos de dívidas e acordos voluntários com credores para estabelecer novas modalidades de pagamento.

O anúncio deve ocorrer apenas em outubro, quando o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, termina o mandato.

O governo rejeitou ontem a informação, apontando que pretende até mesmo voltar a fazer emissões de papéis de sua dívida em 2012.

Mas a pressão parece insustentável. O jornal alemão Die Welt publicou ontem entrevista com uma fonte grega apontando que a reestruturação da dívida é apenas "uma questão de tempo".

Segundo o jornal grego Isotimia, outra opção do governo é a de ampliar a maturidade de sua dívida em cinco anos, depois de um acordo com credores.

Protesto

O primeiro-ministro grego, George Papandreou, queixou-se ontem das agências de classificação de risco que rebaixaram a nota dos títulos gregos nos últimos meses.

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