Interpol procura 29 obras de Edemar Cid Ferreira

Um dos motivos pelos quais o ex-controlador do Banco Santos, Edemar Cid Ferreira está presos desde o dia 26 de maio é um acervo de 29 obras de arte. O Estado teve acesso à relação das obras desaparecidas, que deveriam ter sido seqüestradas pela Justiça e entregues à União até seu julgamento, como ocorreu com todas as outras - estimadas em 22 mil peças. Agora, a pedido da Justiça Federal, as obras serão procuradas pela Polícia Internacional (Interpol), composta por polícias de 184 países.As obras não apresentadas por Edemar são ?as mais caras e menos volumosas, com maior facilidade de manuseio?, segundo o procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira, que representa o Ministério Público Federal.Estão sendo procuradas telas, fotografias e esculturas, boa parte de artistas renomados, como a escultura Woman, de Henry Moore, avaliada em US$ 1,475 milhão. Outra conhecida de colecionadores é a obra Hannibal, de Jean-Michel Basquiat, pela qual Edemar teria pago US$ 825 mil. Os valores de 27 obras somam US$ 6,8 milhões. Não foram incluídas uma fotografia de Brassaï, estimada em 6 mil, e uma tela de Robert Rauschenberg, declarada em US$ 36 milhões. Esta, segundo consultores do mercado de artes, está supervalorizada e deve valer até US$ 3,6 milhões. As obras foram descobertas depois de a Polícia Federal cruzar informações do acervo encontrado na casa, no depósito e em um banco de dados da Cid Collection que estava no servidor do Banco Santos. Ainda há comprovantes de valores debitados em contas de empresas do ex-banqueiro. Muitas obras estariam cadastradas em nome de uma empresa que tinha como sócia uma offshore, ambas de Edemar. ?Foi montada uma estrutura para ficar no anonimato?, disse o procurador. Obstrução da justiça Em depoimento, Edemar informou que parte das obras estava em depósitos na Suíça e nos Estados Unidos. Em outra época, disse que havia vendido algumas, registradas como sendo da Wailea Corporatian, para quitar dívidas. A Wailea, uma de suas offshores, é dona de 15 das obras desaparecidas.?Ora, já quando da realização do seqüestro de bens, iniciado em 1º de março de 2005, o acusado (Edemar) tomou conhecimento da medida que, aliás, era dirigida a toda e qualquer obra existente no local, preferindo ocultar dos peritos tais obras, demonstrando, de forma inequívoca, a má-fé e a obstrução da efetividade da Justiça?, declara o juiz da 6ª Vara, Fausto Martin de Sanctis, no decreto da prisão preventiva. Outras questões fundamentaram a prisão de Edemar, como o fato de seus advogados terem tentado impedir que autoridades da ilha caribenha Antígua - onde ele seria dono de um banco e de uma empresa - fornecessem informações à Justiça. Edemar também é acusado de gestão fraudulenta e responsabilidade pela quebra do Banco Santos, que teve falência decretada em setembro de 2005. Estima-se prejuízo de R$ 2,2 bilhões. Ele e outros 18 ex-diretores do banco respondem por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. O advogado de Edemar, Arnaldo Malheiros Filho, não quis se pronunciar. Desde 7 de junho, o ex-banqueiro está na Penitenciária 2 de Tremembé, no interior de São Paulo.

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