André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Intervenção do governo no câmbio nunca deu certo', diz Meirelles

Uma das preocupações é a de que a chegada de investimentos possa gerar uma entrada muito forte de dólares no Brasil e impactar o mercado

Célia Froufe, correspondente, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2017 | 12h20

LONDRES - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que é importante preservar o regime de câmbio flutuante e salientou que qualquer intervenção do governo neste mercado nunca deu certo. Ele falou ao ser questionado sobre um descontentamento por parte do mercado em relação ao rumo da moeda brasileira. Uma das preocupações é a de que a chegada de muitos investimentos possa gerar uma entrada muito forte de dólares no Brasil e impactar o mercado.

"É normal que os exportadores prefiram alta do dólar e os importadores, o outro lado. O importante é preservar o mercado flutuante. Intervenção do governo neste mercado nunca deu certo. Já tivemos essa experiência no passado e nunca deu certo", ressaltou. O câmbio mais estável significa também, de acordo com o ministro, que há uma política fiscal mais consolidada.

Durante a entrevista coletiva, Meirelles foi questionado sobre o quanto a turbulência política pode atrapalhar o interesse do investidor estrangeiro pelo Brasil. "Gosto de responder com números", disse. Ele citou um gráfico criado pelo Ministério da Fazenda, que leva em conta o prêmio de risco do País, a taxa de juros mais longa, o mercado de capitais, o câmbio e outros fatores. "O que vemos é que condições financeiras têm melhorado no Brasil . Mesmo os índices mais nervosos de mercado estão mostrando uma trajetória de melhora constante. Os números falam por si só."

Meirelles foi então questionado sobre uma pesquisa da GRI Club com 123 grandes operadores de infraestrutura no Brasil, que mostra que o número de empresas que estão desinvestindo no País ou reduzindo o número de negócios subiu para 10,2% ante 4,6% da pesquisa anterior. Já o número de empresários que estão ampliando os negócios caiu para 48,3%, enquanto 41,5% estão "aguardando para tomar decisões".

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"Tenho que ver o resultado dessa pesquisa par ver qual é a ideia", disse, acrescentando que os investimentos em máquinas e equipamentos cresceu 4% no trimestre ante os três meses anteriores.

Durante apresentação que fez a investidores estrangeiros, citou estudo que mostra que, em dois ou três anos, a reforma trabalhista deve gerar 6 milhões de empregos. Ele explicou que se trata de um estudo com base nas mudanças promovidas pelo Brasil em relação ao que já foi obtido em outros países que passaram por um processo semelhante e considerando sempre a proporção dos países e da população avaliados. "Essa estimativa é teórica e baseada em outros países, mas, na prática, já está ocorrendo", pontuou.

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Depois, avaliou à imprensa que o processo da reformas no Brasil "está indo bem". Ele citou a aprovação da reforma trabalhista e novas regras para vários setores, como o de óleo e gás, entre outras. "As coisas estão avançando", considerou. Ele comentou, porém, que as reformas não são novas e já vêm sendo apresentadas há um ano. O processo legislativo está ocorrendo normalmente, conforme o ministro. "São reformas importantes para o País. Não só para este governo, mas para o futuro", enfatizou

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