coluna

Dan Kawa: Separar o ruído do sinal é a única forma de investir corretamente daqui para a frente

Intervenção em bancos é temporária, diz Lavagna

O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, afirmou que o fato de o estatal Banco de la Nación ter assumido o controle de três pequenas instituições financeiras é apenas uma medida temporária, destinada a ajudá-las a superar a crise. "O La Nación tomou a decisão de assumir esses bancos transitoriamente e essa palavra é importante", disse o ministro, durante entrevista coletiva. Segundo ele, os três bancos voltarão a ser controlados pelo setor privado assim que for adotada uma "solução definitiva" para os problemas que motivaram a intervenção. As três instituições são o Banco Bisel, o Banco del Suquia e o Banco Entre Rios - todos controlados pelo Crédit Agricole, da França. O ministro Lavagna, que se preparava para seguir para Washington, também disse que espera concluir um acordo com o FMI até o fim de junho. Ele destacou a necessidade de reativar os setores automotivo e de construção como forma de recuperar a economia argentina. Sobre o congelamento dos depósitos bancários, Lavagna reafirmou: "Estamos trabalhando num plano para liberar gradualmente e a palavra-chave é ´gradualmente´." Lavagna também falou sobre comércio internacional. Ele criticou a União Européia por não reduzir temporariamente suas tarifas sobre produtos argentinos e por não aceitar o estabelecimento de prazos para a conclusão de um acordo de livre comércio com o Mercosul. Segundo ele, esse acordo poderia estar pronto em 1º de janeiro de 2004 para entrar em vigor no ano seguinte. ConflitoLavagna afastou a possibilidade de desentendimento com o presidente do Banco Central, Mario Blejer. "Não há nenhuma diferença com o governo, os boatos apareceram porque houve um certo mal entendido entre funcionários da segunda linha do Banco", afirmou.A disputa entre o Ministério da Economia e o Banco Central começou pela forma com que se resolveria o levantamento das restrições bancárias, assim como a devolução dos depósitos atrelada ao corralito. A tensão entre os dois órgãos do governo argentino acendeu as luzes de alerta para as autoridades do Fundo Monetário Internacional (FMI).Além dos 3 requisitos de ação prévia exigidos pelo Fundo para que a Argentina alcance o acordo, a resolução do corralito e a normalização do sistema bancário também passaram a ser o eixo central das discussões com o organismo internacional.Lavagna quer desembarcar amanhã em Washington com esta questão do Banco Central resolvida, e já tendo acertado com Blejer uma declaração pública de apoio ao plano econômico do governo ainda para hoje. "Toda a política econômica que temos adotado nos últimos 20 dias foi feita para baixar as incertezas", afirmou Lavagna. Segundo o ministro, a Argentina está vivendo algumas ficções, como o valor atribuído ao produto bruto per capita com o atual nível de cotização, que inquietam os acordos em curso de negociação. "É mais fácil destruir do que construir e qualquer confusão gera incertezas, sem dúvida", disse Lavagna.

Agencia Estado,

20 de maio de 2002 | 15h06

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.